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“Desaparecimento quase completo” dos ‘media’ independentes de HK

Lusa

Os países da coligação internacional pela liberdade de imprensa denunciaram hoje o “desaparecimento quase completo” dos ‘media’ independentes em Hong Kong e mostraram-se “profundamente preocupados” com os ataques ao setor das autoridades da China continental e daquela região chinesa

Em comunicado, a ‘Media Freedom Coalition’, da qual fazem parte países como os Estados Unidos, Reino Unido ou Alemanha, recorda a recente invasão da sede e detenção da equipa do portal de notícias, em linha com a pró-democracia, Stand News, e ainda o subsequente encerramento de outro portal, o Citizen News, devido à “preocupação com a segurança dos seus trabalhadores”.

“Desde a promulgação da Lei de Segurança Nacional em junho de 2020, as autoridades atacaram e suprimiram os ‘media’ independentes na Região Administrativa Especial de Hong Kong. Isso corroeu os direitos e liberdades protegidos estabelecidos na Lei Básica e mina as obrigações da China sob a Declaração Conjunta Sino-Britânica”, pode ler-se na nota assinada por governos de 21 países.

Segundo esta coligação, a ação as autoridades chinesas “causou o desaparecimento quase completo dos meios de comunicação independentes locais em Hong Kong”.

“Essas ações em andamento prejudicam ainda mais a confiança na reputação internacional de Hong Kong por meio da supressão dos direitos humanos, liberdade de expressão e livre fluxo e troca de opiniões e informações”, realçam.

Em 29 de dezembro, o meio de comunicação ‘online’ de Hong Kong Stand News anunciou a cessação imediata de todas as operações, após a polícia ter detido vários funcionários e ex-funcionários da publicação, sob a acusação de “publicação sediciosa”.

Já o portal noticioso CitizenNews anunciou em 02 de janeiro o encerramento da sua atividade para “assegurar a segurança de todos”, dias depois da operação policial no Stand News.

Durante o ano passado, a Rádio Televisão de Hong Kong ficou sob o controlo de líderes pró-governo e o jornal Apple Daily foi encerrado em junho por ser considerado uma ameaça à segurança nacional, e o seu fundador, Jimmy Lai, foi condenado pela justiça.

Leia também: Portal de notícias independente de Hong Kong anuncia encerramento

Pequim reforçou o seu controlo sobre Hong Kong desde os protestos pró-democracia massivos, que marcaram esta região administrativa especial da China (desde 1997) em 2019, incluindo uma estratégia de repressão da imprensa local.

A ‘Media Freedom Coalition’ defende ainda que é do interesse de todos “uma Hong Kong estável e próspera em que os direitos humanos e as liberdades fundamentais sejam protegidos”.

Esta coligação apela também às autoridades de Hong Kong e da China continental para que respeitem “a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão”.

Fazem também parte desta coligação internacional a Austrália, Áustria, Canadá, República Checa, Estónia, Finlândia, Islândia, Irlanda, Itália, Japão, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Países Baixos, Nova Zelândia, Eslováquia, Eslovénia e Suíça.

Tal como acontece com Macau desde 1999, para Hong Kong foi acordado a partir de 1997 um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judicial, com o Governo central chinês a ser responsável pelas relações externas e defesa, ao abrigo do princípio “um país, dois sistemas”.

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