A pneumologista Raquel Duarte, que apoiou o governo em todas as propostas de desconfinamento, desde o início da pandemia, assume nesta entrevista ao DN que este é o momento certo para planear o combate à infeção no futuro e anunciar novas medidas.
O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças [ECDC] pediu aos países para considerarem mudanças estratégicas no combate à covid-19, tratando-a como se fosse uma gripe. É o adequado para a realidade portuguesa?
Estamos numa fase em que vamos ter de mudar a forma como olhamos para a pandemia, de mudar o paradigma pandemia versus epidemia, mas isso deve acontecer quando começarmos a ter a redução da letalidade, devendo estar definido de forma muito clara, a distinção de morte por covid-19 ou com covid-19, e a redução da tendência do R(t). Esse momento vai chegar, mas vamos ter de continuar a olhar para os números. O que se observou até agora foi graças ao poder protetor da vacina. Apesar de termos tido uma incidência elevadíssima (mais de 7 mil casos de infeção por 100 mil habitantes), não tivemos níveis elevados de formas graves da doença, de mortes ou a sobrecarga dos serviços de saúde com internamentos nas enfermarias ou nos cuidados intensivos.
Este é o momento para avançar com a mudança do paradigma pandemia versus endemia?
Este é o momento para nos prepararmos para fazer essa mudança, mas, a meu ver, esta preparação pressupõe uma mudança gradual, que tem de ser feita de forma prudente. No fundo, temos de continuar a seguir a mesma estratégia de prudência, que nos caracterizou até à data.
E o que significa ser prudente nesta fase?
Que vamos ter de manter a vigilância e a monitorização do que se passa na comunidade. Vamos ter de garantir que se continua a ter um diagnóstico adequado da situação para que não sejamos apanhados, de repente, com novas situações de muitos casos. Isto é muito importante. O diagnóstico adequado da situação permitir-nos-á perceber rapidamente se a estratégia do momento, a nível de controlo e de combate à doença, é adequada ou se teremos que a alterar.
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