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Twitter volta à Nigéria após sete meses de proibição do governo

Os internautas da Nigéria voltaram ao Twitter nesta quinta-feira (13), depois que o governo retirou a suspensão de sete meses desta rede social no país mais populoso da África.

“O presidente Muhammadu Buhari aprovou o levantamento da suspensão do Twitter na Nigéria” a partir da meia-noite, anunciou o diretor da Agência Nacional para o Desenvolvimento da Tecnologia da Informação, Kashifu Inuwa Abdullahi.

“Estamos felizes que o Twitter tenha sido restaurado para todos na Nigéria”, comentou um porta-voz da rede social, contatado pela AFP.

“Nossa missão na Nigéria – e em todo o mundo – é servir ao diálogo público. Estamos profundamente comprometidos com a Nigéria, onde as pessoas usam o Twitter para o comércio, engajamento cultural e engajamento cívico”, acrescentou.

As autoridades nigerianas dizem que após vários meses de negociações, o Twitter concordou com “todas as condições estabelecidas pelo governo federal”, especialmente no que diz respeito à tributação e gestão de conteúdos que não respeitam as leis nigerianas.

Os internautas expressaram sua satisfação com o levantamento da suspensão. A hashtag #TwitterBan era, nesta quinta-feira, a primeira nas tendências na rede social na Nigéria.

“Estamos de volta”, “Voltamos ao Twitter como se nunca tivéssemos saído”, eram alguns dos comentários sob essa hashtag.

A ONG de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional comemorou a decisão, observando no Twitter que “essa proibição era ilegal” e “um ataque ao direito à liberdade de expressão”.

O governo nigeriano anunciou em junho de 2021 a suspensão da rede social por “tempo indeterminado”, após acusar o grupo de ter uma “missão suspeita” contra o Executivo, e de tolerar em sua plataforma mensagens do chefe de um grupo separatista incitando à violência no sudeste do país. 

A suspensão do Twitter ocorreu dois dias depois que a rede social suprimiu uma mensagem do presidente.

Buhari ameaçou “lidar com uma linguagem que eles entendam” os autores da violência no sudeste da Nigéria – que, segundo as autoridades, seriam os separatistas igbos – o que reacendeu memórias dolorosas da guerra de Biafra, que deixou mais de um milhões de mortos na década de 1960.

A suspensão do Twitter e o fato de o governo ter ordenado que os meios audiovisuais apagassem as suas contas, como sinal de “patriotismo”, provocaram revolta na Nigéria, um país jovem, com uma população muito ligada às redes sociais e em que esta plataforma é uma ferramenta relevante para o protesto social. 

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