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Cinzas do jornalista Max Stahl chegam a Díli na quarta-feira

Lusa

As cinzas do jornalista Max Stahl, que em 1991 filmou o massacre de Santa Cruz, em Díli, chegam na quarta-feira à capital timorense, onde estão previstos vários dias de homenagens oficiais, foi hoje divulgado

As cinzas de Max Stahl chegarão em breve a Díli. De acordo com o plano, as cinzas de Stahl vão ser depositadas num túmulo, especialmente preparado nos últimos dias no mesmo local do cemitério de Santa Cruz, onde recolheu as imagens trágicas do massacre e que levaram a uma viragem na atenção mundial para a luta timorense contra a ocupação indonésia.

Várias individualidades do país, incluindo o líder histórico Xanana Gusmão, o ex-Presidente José Ramos-Horta e o atual primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, entre outros, vão receber as cinzas que viajam com a mulher e os filhos de Max Stahl desde a Austrália.

A chegada está prevista para o início da tarde de quarta-feira (hora local), disseram responsáveis Centro Audiovisual Max Stahl em Timor-Leste (CAMSTL), o arquivo onde estão milhares de horas de filmagens recolhidas pelo jornalista.

Numerosas autoridades estão envolvidas nos preparativos da homenagem ao jornalista que foi condecorado e premiado pelo trabalho durante a luta de Timor-Leste contra a ocupação indonésia.

O programa prevê uma cerimónia oficial, liderada pelo primeiro-ministro, que vai entregar uma bandeira de Timor-Leste à família de Max Stahl, que morreu em 28 de outubro, num hospital da cidade australiana de Brisbane.

Depois está previsto um longo cortejo pela capital timorense, que terminará na sede do CAMSTL, onde vai realizar-se um velório, até sexta-feira, prevendo-se a presença dos principais líderes timorenses, a começar pelo Presidente da República, Francisco Guterres Lú-Olo.

Durante o cortejo, a urna com as cinzas deverá viajar no carro de José Ramos-Horta.

No dia 17 estão previstas as cerimónias fúnebres que começam com uma missa na igreja de Motael, onde e 28 de outubro de 1991 foi morto o jovem Sebastião Gomes, que foi a enterrar em Santa Cruz e cuja morte suscitou o protesto que acabaria por terminar no agora conhecido como o Massacre de Santa Cruz.

Na altura, mais de duas mil pessoas dirigiram-se a Santa Cruz para prestar homenagem a Sebastião Gomes, morto por elementos ligados às forças indonésias no bairro de Motael.

No cemitério, militares indonésios abriram fogo sobre a multidão e mataram 74 pessoas no local. Nos dias seguintes, mais de 120 jovens morreram no hospital ou em resultado da perseguição das forças ocupantes.

Leia também: Governo timorense expressa “profundo pesar” pela morte de Stahl

A maioria dos corpos nunca foi recuperada.

A ação dos militares indonésios foi filmada por Max Stahl e a atenção internacional sobre Timor-Leste mudou para sempre.

Depois da missa, na quinta-feira, está prevista uma marcha de Motael até Santa Cruz, no mesmo percurso da marcha que ocorreu em 1991.

Em Santa Cruz será lido um decreto presidencial que assinala a nova condecoração póstuma de Max Stahl, antes do funeral e da entrega da bandeira timorense à família do jornalista.

A cerimónia prevê uma atuação de violino de um dos filhos de Max Stahl.

Max Stahl morreu num hospital de Brisbane, na costa lesta da Austrália, vítima de uma doença prolongada.

O jornalista foi condecorado pelo Estado timorense e o Parlamento Nacional atribuiu-lhe a nacionalidade timorense em 2019.

Christopher Wenner, que começou a ser conhecido como Max Stahl, iniciou a ligação a Timor-Leste, em 30 de agosto de 1991, quando, “disfarçado de turista”, entrou no território para filmar um documentário para uma televisão independente inglesa.

Entrevistou vários líderes da resistência e, depois de sair por causa do visto, acabou por regressar, entrando por terra, e em 12 de novembro desse ano por filmar o massacre de Santa Cruz.

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