Fome no sul de Angola leva pessoas a "sobreviverem de frutos silvestres" - Plataforma Media

Fome no sul de Angola leva pessoas a “sobreviverem de frutos silvestres”

Um padre católico angolano denunciou hoje que há localidades da província angolana do Cuando-Cubango onde as pessoas “desconhecem o sabor do sal e do óleo”, por falta de comida, e que estes “sobrevivem de frutos silvestres”.

Segundo o padre Adriano Canjamba, citado hoje pela Emissora Católica de Angola, a pobreza é evidente nas comunas do Lupiri, Longa e Baixo Longa, afetos ao município do Cuito Cuanavale, e os populares locais têm visto nos frutos silvestres a fonte de subsistência.

“Aqui a pobreza é factual, as vezes vemos nos media de que o país está unido, a vida faz-se nos municípios, enfim, toda a literatura que se arranje, mas digo que aquilo é apenas uma retórica, se não mesmo demagogia”, afirmou o sacerdote à rádio católica.

O pároco do Cuito Cuanavale, região sul de Angola, deu a conhecer também que naquelas localidades “há inclusive pessoas que não conhecem o sabor do sal, para não falar do óleo, então o único recurso que têm é a terra”.

“Graças à Deus se a chuva vem aí é o gáudio, se não chove é um grande calvário porque estas as vezes têm de recorrer aos frutos silvestres sobretudo nas localidades do Longa, Lupiri e Baixo Longa”, contou o padre Adriano Canjamba.

O sacerdote católico disse igualmente que as comunidades locais “não vêem e nem sentem qualquer reflexo” do Plano Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM), programa do Governo central para o desenvolvimento dos municípios.

Lamentou ainda a falta de assistência médica e medicamentosa referindo que as populações locais “vivem da providência divina e recorre às raízes para tratar as doenças”.

Cuando-Cubango é uma das províncias ao sul de Angola afetada nos últimos anos pela longa estiagem e seca, situação que concorre para a constante mobilidade das populações em busca de meios de subsistência.

O Governo angolano desenvolve várias ações, como a construção de projetos estruturantes e a distribuição de água e alimentos às populações, visando contrapor o atual cenário de estiagem.

O Presidente angolano, João Lourenço, criou, em setembro passado, um “task force” para combater e fome a seca no sul do país, coordenada pela ministra de Estado para a Área Social, Carolina Cerqueira.

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