Bélgica e Países Baixos principais centros europeus de tráfico de cocaína

Bélgica e Países Baixos principais centros europeus de tráfico de cocaína

Bélgica e os Países Baixos tornaram-se nos principais centros europeus de tráfico de cocaína, suplantando a Espanha como a principal via de entrada no continente, de acordo com um relatório da EUROPOL divulgado ontem

Aproveitando o aumento da oferta de cocaína, especialmente da Colômbia, as organizações criminosas estão a utilizar os portos de Roterdão (Países Baixos), Hamburgo (Alemanha) e especialmente Antuérpia (Bélgica), para trazer a droga para os Países Baixos, de onde é transportada para toda a Europa, afirma o organismo europeu de polícia num relatório elaborado com o Gabinete das Nações Unidas contra a Droga e o Crime Organizado (UNODOC).

“O epicentro do mercado de cocaína na Europa deslocou-se para norte”, lê-se no documento.

A crescente utilização de carga em contentores, apoiada nas grandes capacidades dos terminais portuários de Antuérpia, Roterdão e Hamburgo “consolidaram o papel dos Países Baixos como zona de trânsito” para a cocaína, refere ainda o documento.

As zonas costeiras do mar do Norte “suplantaram a Península Ibérica como principal ponto de entrada da cocaína que chega à Europa“, acrescenta.

Segundo o relatório, Em 2020 as apreensões de cocaína em Antuérpia totalizaram 65,6 toneladas.

Em fevereiro, a Alemanha e a Bélgica fizeram uma apreensão recorde de 23 toneladas de cocaína, que estava escondida em contentores marítimos.

O mercado europeu de cocaína foi significativamente impulsionado pelo aumento da oferta, especialmente desde o acordo de paz assinado em 2016 entre as Forças Armadas Revolucionária da Colômbia (FARC) e o governo do país, que levou ao aparecimento de diferentes grupos que disputam o controlo da produção de cocaína, observa o documento.

As FARC controlavam parte da área onde a cocaína é cultivada e regulamentavam o acesso ao abastecimento da produção disponível para intermediários e traficantes internacionais.

O acordo de paz de 2016 “pôs fim à estrutura de comando integrado das FARC e levou ao surgimento de diferentes grupos de fragmentação que exercem controlo sobre diferentes regiões e produção de cocaína” nestas áreas, lê-se no documento, acrescentando que este facto tem “multiplicado o potencial para a formação de novas alianças e parcerias”.

As organizações criminosas europeias alteraram a estratégia, formando alianças com estes grupos sem intermediários e obtendo a cocaína diretamente da fonte.

Depois da canábis, a cocaína é a segunda droga mais consumida na Europa Ocidental e Central, com as estimativas mais recentes a apontarem para 4,4 milhões o total de consumidores até 2020, conclui o relatório.

Related posts
MundoPortugal

Pandemia reduziu natalidade, especialmente em Portugal, Espanha e Itália

Mundo

Europa repatria produção de baterias com expansão de vendas de viaturas elétricas

EconomiaMundo

BCE pode decidir mudanças após revisão da sua estratégia

MundoSociedade

Cheias fazem pelo menos 93 mortos e dezenas de desaparecidos no norte da Europa

Assine nossa Newsletter