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CPLP: Confederação Empresarial satisfeita por se falar de banco que defende desde 2014

O presidente da Confederação Empresarial da CPLP manifestou hoje “satisfação” por a presidência angolana da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) dar prioridade à cooperação económica e falar da criação de um banco, o que defende desde 2014.

Em declarações à Lusa por telefone, após a conclusão da XIII Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, que decorreu sábado em Luanda e na qual Angola assumiu a presidência da organização, Salimo Abdula afirmou que foi com “satisfação” que ouviu o anúncio do Presidente angolano, João Lourenço, sobre a aposta no novo pilar e a ideia de criar um banco de investimento para a CPLP.

“Queremos parabenizar Angola. Sabemos que quer apostar num quarto pilar, que está em formação, o económico, e na cooperação empresarial, exatamente aquilo que a Confederação Empresarial da CPLP [CE-CPLP] tem vindo a desenvolver nos últimos anos”, sublinhou.

Mas a ideia da criação de um banco de investimento, defendida por João Lourenço no seu discurso já como Presidente da CPLP, também “é bem-vinda, é de facto um projeto que a Confederação Empresarial tem vindo a desenvolver há algum tempo”, sublinhou.

O empresário moçambicano recordou que em 2014 houve uma conferência que envolveu bancos centrais e comerciais de quase todos os países da CPLP, em Lisboa, “sob a coordenação e liderança da confederação, com o objetivo de estudar um banco de investimento ou de desenvolvimento, que pudesse apoiar a integração das empresas e não só, mas também as necessidades de investimento em infraestruturas numa grande parte dos países, principalmente dos PALOP”.

Admitindo que este tipo de projetos são complexos e levam o seu tempo a concretizar, o empresário moçambicano adiantou que a confederação, na altura, em 2014, chegou a fazer uma proposta para que a CPLP avançasse com a criação do banco.

“Foi ainda durante a Presidência de Timor-Leste, em 2014”, especificou. Esta “levou algum tempo” a responder, mas quando o fez deu uma resposta “positiva”, relatou. Porém, até hoje nada avançou.

Mas a CE-CPLP não desistiu do projeto, disse. “Nós temos feito a auscultação de alguns Estados sobre que tipo de banco seria aceitável, se de capitais mistos ou de capitais públicos, e a tendência vai para capitais mistos, portanto públicos e privados”, assegurou.

Porque desta forma seria “um banco com menos interferência política, com uma governança mais isenta, de modo a assegurar de forma transversal os interesses de todos os países”, acrescentou.

Assim, mais recentemente, a confederação retomou o dossier, na Cimeira de Negócios que organizou, em maio, em Malabo [capital da Guiné Equatorial], na qual estiveram presentes “algumas lideranças políticas”, referiu.

Segundo Salimo Abdula, “houve uma manifestação positiva do Governo da Guiné Equatorial de que iria olhar para este projeto com alguma eficácia” e vários bancos comerciais também manifestaram interesse no projeto.

“Agora, ouvimos este anúncio de Angola e ficamos satisfeitos”, porque “vai dinamizar o projeto do banco de investimento da CPLP”, que “contará com todo o nosso apoio como confederação empresarial da CPLP”.

Para Salimo Abdula, isto “é uma nova dinâmica com a qual estamos satisfeitos, porque a CPLP nestes anos todos tem sido mais uma CPLP focada nas elites políticas”, afirmou.

O empresário assegurou que a CE-CPLP foi a dinamizadora da ideia, mas com “o objetivo” que o banco fosse “um projeto da CPLP, independentemente de quem o lidera ou quem o coordena”.

Só que, até agora, “estava ainda muito ao nível do setor empresarial”, referiu.

Agora, “é uma satisfação saber que o setor político e governamental manifestou publicamente este interesse”, acrescentou.

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) comemorou este sábado, em Luanda, 25 anos, numa cimeira na qual foi assinado um acordo-quadro para a mobilidade e propostas concretas para reforçar a cooperação económica e empresarial.

Angola iniciou o seu mandato de dois anos na presidência da CPLP e anunciou o objetivo de criar um banco de investimento comum, ideia que, admitiu o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, pode avançar se houver investimentos significativos de várias partes.

Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste são os nove Estados-membros da organização.

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