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Confronto entre China e Canadá chega à ONU

O Canadá denunciou hoje na ONU, em nome de cerca de 40 países, a situação dos direitos humanos na província chinesa de Xinjiang e em Hong Kong, pedindo Pequim uma investigação às violações dos direitos dos autóctones canadianos.

A declaração conjunta sobre a China, lida pelo Canadá perante o Conselho dos Direitos Humanos — a mais alta instância da ONU neste domínio — era esperada há alguns dias por numerosos diplomatas e organizações não-governamentais (ONG) em Genebra, dando tempo a Pequim para preparar a sua defesa.

“Estamos seriamente preocupados com a situação dos direitos humanos na região autónoma uigure de Xinjiang. Relatórios credíveis indicam que mais de um milhão de pessoas foram detidas arbitrariamente em Xinjiang e que existe uma vigilância generalizada que visa desproporcionadamente os uigures e membros de outras minorias, assim como restrições às liberdades fundamentais e à cultura uigure”, declarou a embaixadora do Canadá junto da ONU, Leslie Norton.

Pequim desmente aquele número e os designados “campos de concentração”, falando de “centros de formação profissional” para apoiar o emprego e combater o extremismo religioso.

A declaração, subscrita por cerca de 40 países, incluindo os Estados Unidos e a França, pede à China para dar “aos observadores independentes, incluindo à alta comissária (da ONU para os Direitos Humanos), acesso imediato, significativo e sem entraves a Xinjiang” e para “acabar com a detenção arbitrária de uigures e de membros de outras minorias muçulmanas”.

Norton indicou ainda que os países subscritores continuam “profundamente preocupados com a deterioração das liberdades fundamentais em Hong Kong no âmbito da Lei de Segurança Nacional e com a situação dos direitos humanos no Tibete”.

A China já tinha sido acusada por dezenas de países numa declaração anterior pela situação dos uigures e de outras minorias em Xinjiang. A alta comissária, Michelle Bachelet, disse na segunda-feira esperar obter este ano um “acesso significativo” à região, enquanto os defensores dos direitos humanos pedem à ONU que seja mais rigorosa.

Respondendo antecipadamente a Ottawa, um representante chinês leu, antes da embaixadora canadiana, uma declaração conjunta sobre as “graves violações dos direitos humanos sofridos pelas populações indígenas no Canadá”, em nome da Rússia, Bielorrússia, Coreia do Norte, Venezuela, Irão, Síria e Sri Lanka, segundo a ONU.

A declaração evoca a recente descoberta dos restos mortais de 215 crianças perto de um antigo colégio para autóctones administrado pela Igreja Católica no oeste do Canadá e pede uma investigação em todos os casos “em que foram cometidos crimes contra as populações indígenas”, indicando que entre os anos de 1830 e 1990, mais de 150.000 crianças aborígenes foram afastadas à força dos seus pais”.

Aqueles países declaram-se “igualmente profundamente preocupados com a discriminação em relação a migrantes no Canadá e com o tratamento desumano que recebem nos centros de detenção canadianos”.

O representante da Bielorrússia, por seu turno, leu uma outra declaração conjunta, “em nome de 64 países”, apoiando a China e destacando que Hong Kong, Xinjiang e Tibete são “assuntos internos chineses”.

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