Autoridade Palestina anula acordo de vacinas anticovid com Israel

Autoridade Palestina anula acordo de vacinas anticovid com Israel

A Autoridade Palestina anulou, nesta sexta-feira (18), um acordo com Israel para receber um milhão de doses de vacinas contra o coronavírus porque esses imunizantes estão “prestes a expirar”

“Depois de uma análise por parte das equipes técnicas do Ministério da Saúde do primeiro lote de vacinas da Pfizer entregues por Israel nesta noite (…), descobrimos que não estão em conformidade com as características do acordo”, declarou o porta-voz do governo, Ibrahim Melhem, em coletiva de imprensa, poucas horas depois do anúncio do acordo.

“O governo se recusa a receber vacinas prestes a expirar”, acrescentou Melhem, destacando que 90.000 doses foram recebidas.

Solicitado pela AFP, o Ministério da Saúde israelita e o órgão israelita encarregado das operações civis nos Territórios Palestinos (Cogat) não comentaram as declarações palestinas por enquanto.

Israel tinha anunciado mais cedo um acordo segundo o qual transferiria à Autoridade Palestina um milhão de suas próprias doses da vacina da Pfizer prestes a expirar e que lhe entregaria “a mesma quantidade de doses” quando as recebesse do laboratório americano.

Nas redes sociais, fotos de doses da Pfizer com a inscrição “junho de 2021” foram amplamente compartilhadas.

O ministério da Saúde palestino tinha se referido unicamente a uma iniciativa da Pfizer para transferir doses entre Israel e a Autoridade palestina, aprovada do lado palestino para “acelerar a campanha de vacinação e alcançar a imunidade coletiva”.

Agora, o governo palestino espera que o laboratório Pfizer forneça as vacinas pedidas, disse Melhem, sem informar a data.

“Israel firmou um acordo com a Autoridade Palestina e entregará um milhão de doses de vacinas da Pfizer perto da validade e receberá, em troca, as doses que a empresa Pfizer tinha de enviar para a Autoridade Palestina”, afirmou o gabinete do primeiro-ministro e os ministérios israelenses da Defesa e da Saúde, em um comunicado conjunto.

A Autoridade Palestina, que tem sua sede de governo na Cisjordânia ocupada, ainda não fez comentários sobre esta informação.

“Israel receberá a mesma quantidade de doses da Pfizer (ou seja, um milhão) nos meses de setembro/outubro de 2021 por conta do que estava destinado à Autoridade Palestina”, segundo o comunicado israelita.

“Este acordo pôde ser feito após ter-se constatado que a reserva de vacinas que Israel tem em seu poder responde às suas necessidades atuais”, explicou.

O comunicado não especifica quando vencem as vacinas que serão entregues aos palestinos.

O órgão militar israelita que administra os assuntos civis nos territórios palestinos ocupados informou, nesta sexta-feira, que já transferiu “100.000 doses de vacinas”.

Graças a uma ampla campanha de vacinação, lançada no final de dezembro após um acordo com o gigante farmacêutico Pfizer, cerca de 55% da população israelense, ou seja, mais de 5,1 milhões de pessoas, receberam duas doses de vacina anticovid-19.

Do lado palestino, apenas 260.713 pessoas receberam suas duas doses na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, segundo o Ministério palestino da Saúde.

Entre quinta e sexta-feira, foram registrados 165 novos casos de covid-19 na Cisjordânia e Gaza, o que eleva o total para mais de 312.000 palestinos infectados, incluindo 3.540 mortos.

Em Israel, foram detectados 25 novos casos do coronavírus nas últimas 24 horas, o que eleva o total para cerca de 840.000, incluindo mais de 6.429 mortes.

“O coronavírus não conhece fronteiras, nem faz distinções entre pessoas”, declarou o ministro da Saúde de Israel, Nitzan Horowitz, no Twitter.

A tensão entre israelenses e palestinos permanece alta, depois da violenta campanha de bombardeios na Faixa de Gaza e dos mísseis lançados pelo grupo islamita Hamas, que governa o enclave palestino, contra o território israelense.

Desde o fim dos confrontos, em 21 de maio, foram registrados vários incidentes isolados e protestos na Cisjordânia ocupada.

A devastação causada pelos ataques aéreos israelenses danificou a infraestrutura sanitária em Gaza e, com isso, o programa de combate à covid-19 e a campanha de vacinação.

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