Covid-19: Bolsonaro muda ministro da Saúde em pleno pico da pandemia e escolhe cardiologista - Plataforma Media

Covid-19: Bolsonaro muda ministro da Saúde em pleno pico da pandemia e escolhe cardiologista

O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, fez ontem, no momento mais crítico da pandemia, uma nova mudança de ministro da Saúde, anunciando para o cargo o cardiologista Marcelo Queiroga, em substituição do general Eduardo Pazuello.

O anúncio foi feito poucas horas após Queiroga, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), se ter reunido com o chefe de Estado, em Brasília.

“Foi decidido agora à tarde a indicação do médico, doutor Marcelo Queiroga, para o Ministério da Saúde. Ele é presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia. A conversa foi excelente, já conhecia há alguns anos, então não é uma pessoa que tomei conhecimento há poucos dias”, disse Bolsonaro, em declarações a apoiantes e à imprensa local.

“Tem tudo no meu entender para fazer um bom trabalho, dando prosseguimento em tudo que o Pazuello fez até hoje”, advogou o chefe de Estado, junto ao Palácio da Alvorada, a sua residência oficial na capital brasileira.

Ainda segundo o chefe de Estado, a nomeação de Queiroga será publicada na edição de terça-feira do Diário Oficial da União.

Bolsonaro prometeu ainda um combate mais agressivo ao novo coronavírus no Brasil nesta nova gestão de Queiroga.

“O senhor Marcelo Queiroga, médico e também gestor, mas muito mais entendido na questão de Saúde, vai fazer outros programas que interessem para nós diminuirmos os números de óbitos por ocasião dessa doença que se abateu no mundo todo”, frisou o mandatário.

“Vale lembrar que o Brasil é o quinto país do mundo que mais vacina, em números absolutos. Então, o trabalho do Pazuello está muito bem feito, a parte de gestão foi muito bem feita por ele e, agora, vamos partir para uma parte mais agressiva no que toca ao combate ao vírus. (…) Começará agora uma transição que vai demorar uma ou duas semanas”, detalhou Jair Bolsonaro.

Marcelo Queiroga será assim o quarto ministro da Saúde desde a chegada da covid-19 a solo brasileiro, há pouco mais de um ano, e assumirá funções naquele que é o momento mais critico da pandemia no país.

Formado em Medicina pela Universidade Federal da Paraíba, Queiroga tem especialização em cardiologia, com área de atuação em hemodinâmica e cardiologia intervencionista, segundo o seu currículo divulgado na plataforma Lattes.

Além da SBC, cuja presidência assumiu em dezembro de 2019, Queiroga afirma ter atuado na Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBCHI), no Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), no Conselho Federal de Medicina (CFM) e na Associação Paraibana de Medicina (Apmed).

Com Queiroga, a tutela volta assim a ter no seu comando um nome ligado à área da Saúde.

General do Exército, Pazuello tomou, em setembro último, posse como ministro da Saúde, após quatro meses a liderar interinamente a tutela durante a pandemia da covid-19, situação bastante criticada no país devido à falta de especialização do militar em questões de saúde.

Sob a gestão do general, o Ministério da Saúde mudou as diretrizes, para que a população procurasse a rede de saúde quando sentisse qualquer sintoma da doença, mesmo que fosse ligeiro.

Antes de Pazuello, os médicos Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich lideraram a pasta, mas saírem do cargo devido a divergências com o chefe de Estado no combate à covid-19, nomeadamente em relação às medidas de isolamento social e ao uso da hidroxicloroquina, fármaco amplamente defendido pelo Presidente para enfrentar a doença, mas sem comprovação científica na sua cura.

O Brasil, que totaliza 11.519.609 casos e 279.286 mortes devido à covid-19 e que enfrenta agora o momento mais crítico da pandemia, tem vários hospitais em colapso e novas estirpes do vírus em circulação, o que levou governadores e prefeitos a decretar medidas restritivas de isolamento social, ao contrário do que defende Bolsonaro.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.654.089 mortos no mundo, resultantes de mais de 119,7 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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