China pune pelo menos quatro siderurgias por falsificarem dados de poluição

China pune pelo menos quatro siderurgias por falsificarem dados de poluição

As autoridades chinesas anunciaram hoje que vão tomar medidas contra pelo menos quatro siderurgias na província de Hebei, no norte do país, por não cumprirem os requisitos de redução de emissões e falsificar dados de poluição

A decisão surge na sequência de a poluição atmosférica estar a atingir severamente o norte do país há mais de uma semana.

O Ministério da Ecologia e do Meio Ambiente informou hoje em comunicado que serão tomadas medidas contra várias fábricas produtoras de aço em Tangshan, uma das mais importantes cidades industriais de Hebei, na sequência de uma inspeção realizada pelo titular da pasta, Huang Runqiu.

Tanto Hebei como as suas regiões circundantes, incluindo a capital, Pequim, têm tido elevadas taxas de poluição atmosférica há mais de uma semana, especialmente partículas PM2,5, que medem 2,5 mícrones ou menos de diâmetro, atingindo rapidamente os pulmões e o sangue, tornando-as altamente prejudiciais para a saúde.

Só na quinta-feira, a concentração média de partículas PM2,5 atingiu 320 microgramas por metro cúbico em Pequim, um limiar considerado “muito perigoso” e bem acima dos 20 microgramas recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

A poluição intensa fez com que as autoridades aumentassem o nível de emergência na semana passada e realizassem inspeções até descobrir que pelo menos quatro empresas siderúrgicas estavam a poluir acima dos limites e que também tinham falsificado os seus registos para contornar a investigação.

Apesar de ainda não ser conhecida o teor da punição, o ministro da Ecologia e Meio Ambiente, Huang Runqiu, comprometeu-se a tomar “medidas fortes”, enquanto as autoridades locais continuam a monitorizar as empresas da região para que cumpram com limitações temporais a produção e reduzam as suas emissões.

A China comprometeu-se na última reunião da Assembleia Nacional Popular (ANP, Legislativo), concluída na quinta-feira, que a percentagem de energia não fóssil no consumo total aumentará cerca de 20% nos próximos cinco anos e reduzirá a concentração de partículas de PM2,5 em 10% nas grandes cidades.

A poluição atmosférica resultante do uso de combustíveis fósseis é a causa de 4,5 milhões de mortes prematuras por ano em todo o mundo, mas também leva a perdas económicas globais estimadas em 2,9 mil milhões de dólares, de acordo com o relatório “Ar tóxico: O preço dos combustíveis fósseis” publicado em 2020 pela Greenpeace e pelo Centro de Investigação em Energia e Ar Limpo

De acordo com a Greenpeace, 40.000 crianças morrem anualmente antes dos cinco anos devido à exposição a poluentes como as partículas PM2,5, que também são atribuídas até dois milhões de nascimentos prematuros por ano.

A China é o país do mundo com mais mortes prematuras por esta razão, cerca de 1,8 milhões por ano, seguida da Índia (1 milhão), da União Europeia (400.000 mortes), Estados Unidos (230.000) e o Japão (100.000), refere a agência espanhola Efe.

Related posts
BrasilPolítica

EUA e Brasil comprometem-se com "parceria estratégica" e abordam metas ambientais

Mundo

ONU alerta que seca pode ser “a próxima pandemia”

ChinaMacau

China admite que protecções de material nuclear rebentaram em central perto de Macau

Onda de calor precoce no oeste dos EUA pode quebrar recordes

Assine nossa Newsletter