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Ex-membro de dissidência armada em Moçambique pede trégua e amnistia

Lusa

André Matsangaíssa, até há pouco tempo um dos membros influentes da dissidência armada da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), defendeu hoje uma trégua definitiva e amnistia para que os guerrilheiros saiam das matas

“Gostaria que houvesse uma trégua definitiva, que é a primeira segurança” para os membros da autoproclamada Junta Militar da Renamo que queiram entregar as armas, seguindo-se “uma lei de amnistia”, referiu, em conferência de imprensa, em Maputo.

André Matsangaíssa sugeriu uma retirada das Forças de Defesa e Segurança (FDS) moçambicanas do centro do país para que se crie espaço para a paz e enquadramento dos guerrilheiros dissidentes no processo de desmilitarização, desarmamento e reintegração (DDR) em curso.

As sugestões foram dirigidas ao Governo moçambicano e a Ossufo Momade, presidente da Renamo, principal partido da oposição, para que fomentem o diálogo 

A Junta Militar “foi um problema interno, partidário” no seio da Renamo, acrescentou, após a eleição de Momade, em janeiro de 2019, sucedendo a Afonso Dhlakama.

O grupo armado é liderado por Mariano Nhongo, antigo dirigente de guerrilha, que ainda se encontra nas matas do centro de Moçambique com um número incerto de homens. 

Matsangaíssa foi o terceiro rosto da autoproclamada Junta Militar da Renamo a render-se, depois de João Machava e Paulo Nguirande, dois outros membros influentes daquele grupo que contesta a liderança da Renamo e acusa o atual líder do partido de ter desviado o espírito das negociações de paz com o Governo.

O acordo de paz em Moçambique foi assinado em agosto de 2019 pelo chefe de Estado moçambicano e pelo presidente da Renamo, prevendo, entre outros aspetos, as condições do processo de DDR do braço armado do principal partido de oposição.

A autoproclamada Junta Militar é acusada de protagonizar ataques armados contra civis e forças governamentais em estradas e povoações das províncias de Sofala e Manica, centro de Moçambique, incursões que já provocaram a morte de, pelo menos, 30 pessoas.

André Oliveira Matade Matsangaíssa – sobrinho do primeiro presidente da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), o homónimo André Matsangaíssa – foi recebido no dia 01 de março pelo Presidente moçambicano, Filipe Nyusi.

O chefe de Estado referiu que a rendição deve servir de exemplo para os grupos que ainda estão nas matas, acrescentando que a paz é uma ambição comum entre os moçambicanos.

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