Jovens aderem ao mercado de produtos em segunda mão

Jovens aderem ao mercado de produtos em segunda mão

Saia de pregas ao estilo europeu, casaco cargo japonês, t-shirt americana dos anos 80. Numa rua comercial de Lanzhou, província de Gansu, Yang Le está a preparar-se para abrir a boutique de produtos em segunda mão, cuja principal atração são as roupas vintage

“Todos os produtos e decorações da loja são relíquias que já passaram por muitas mãos”, explica. Ao longo do tempo, Yang Le, de 34 anos, foi investindo um total de mais de um milhão de renmimbis (RMB). Atualmente, mais de 10 mil objetos de todo o mundo decoram a loja, incluindo candeeiros, jornais antigos, isqueiros e colunas, que ele apelida de “antiguidades”.

Em inglês chama-se vintage, e é um conceito que surgiu na Europa. “Para nós, apenas objetos com mais de 20 anos podem ser considerados vintage. Objetos com caraterísticas distintas de época, assim como um nível alto de qualidade e design”, acrescenta Yang Le.

Ao longo dos últimos anos, os jovens consumidores chineses têm começado a aderir ao mercado de segunda mão, existindo atualmente uma vasta variedade tanto online como offline.

Quando era pequeno, Yang Le gostava de ir às compras a feiras de rua, tendo crescido a colecionar antiguidades. Em 2017, abriu a primeira loja em Lanzhou. Conta que na altura enfrentou mais desafios do que oportunidades. “A receção do público ao mercado de produtos em segunda mão era limitada”, explica. O setor desenvolveu-se relativamente tarde na China em comparação com o Japão ou a Europa, e ainda existe um grande espaço para evolução em matéria de reaproveitamento e reciclagem de produtos.

Felizmente, os consumidores mais jovens parecem cada vez mais abertos a este tipo de produtos, e o mercado em segunda mão atrai consumidores mais conscientes.

Com o início do novo semestre escolar, o mercado de livros em segunda mão está em alta. Numa livraria com menos de 10 metros quadrados na Universidade Jiaotong de Lanzhou, duas torres de livros quase bloqueiam a entrada de alunos e professores.

Está a tornar-se uma tradição para os recém-formados venderem os antigos livros, usados ou novos, por um preço simbólico a livrarias em segunda mão na universidade, possibilitando que os próximos alunos os comprem a preços reduzidos.

“Com material de estudo igual, a revenda de livros em segunda mão, além de possibilitar um preço mais acessível, também ajuda a evitar desperdício”, refere Suo Peng, finalista de 21 anos.

Mais do que o valor económico, a história por detrás de produtos em segunda mão é um dos importantes fatores da respetiva popularidade.

Na rede social chinesa Douban, o tópico “a história dos livros em segunda mão” contém mais de 800 publicações e cinco milhões de visualizações.

Xu Shuo, de Xangai, comprou uma cópia de “O Estrangeiro”, de Albert Camus. Nas páginas amareladas do livro pode ler-se uma mensagem escrita em inglês pelo antigo dono, que remonta a 1996: “Querida Ferrara, espero que nunca te sintas uma “estrangeira”.”

Xu Shuo conta que comprou o livro numa livraria em segunda mão no estrangeiro. “Esta frase fez-me sentir que viajei ao longo do tempo e espaço. 20 anos depois, pergunto-me como será a vida destas duas pessoas”. A expansão do mercado em segunda mão na China fez nascer novas profissões, como avaliadores de carros e produtos de luxo em segunda mão, assim como novas oportunidades de desenvolvimento para lojas de penhores e antiguidades.

Yang Suchang, professor da Faculdade de Economia da Universidade de Lanzhou, acredita que com o desenrolar do tempo e desenvolvimento das mentalidades, o mercado de produtos em segunda mão começa a ganhar forma, e irão surgir cada vez mais profissionais e instituições do tipo.

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