Iniciativa pagará a produtores rurais na Amazónia para que conservem as suas matas - Plataforma Media

Iniciativa pagará a produtores rurais na Amazónia para que conservem as suas matas

Um programa inédito no Brasil pagará aos produtores rurais da chamada Amazónia Legal para conservar matas que poderiam ser derrubadas dentro de suas propriedades, em uma iniciativa batizada de Conserv que busca reduzir o desmatamento na maior floresta do mundo.

Segundo informou a Agência Brasil, a iniciativa é fruto de uma parceria do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) com o Environmental Defense Fund e o Woodwell Climate Research Center.

O valor a ser pago aos proprietários rurais que participarem da iniciativa será entre 200 e 400 reais (US$ 35 a US$ 70) anualmente por hectare conservado. O dinheiro sairá de doações dos governos da Noruega e Holanda, através de programas de conservação do meio ambiente.

Atualmente, a lei brasileira que regula o uso do solo em imóveis rurais estabelece alguns parâmetros para a delimitação de áreas de preservação permanente e de reserva legal, que varia de 20% a 80%, dependendo do bioma em que se encontram. No caso da Amazônia, vai de 35% nas áreas de Cerrado a 80% no bioma amazônico.

“É uma área significativa que pode ter um grande impacto climático se forem desmantadas, se não se fizer nada”, explicou o investigador do Ipam e coordenador do Conserv, Marcelo Stabile. “Os produtores que têm essas áreas serão estimulados a não desmatar e serão reconhecidos por esse trabalho de conservação”, acrescentou.

O Ipam recordou que a Amazônia é chave na luta contra as mudanças climáticas, já que absorve cerca de 15% das emissões globais de gás carbônico existentes na atmosfera e liberando águas, o que contribui para o sistema de chuvas, criando condições para a produção agrícola. Além disso, as florestas também resfriam a superfície terrestre.

Outro dos objetivos do programa é aliar conservação e produção sustentável. “O Brasil é um grande provedor de produtos agropecuários e de serviços ecossistêmicos. E, nos próximos 30 ou 50 anos, as duas coisas ainda precisam acontecer, para ter um clima estável o suficiente para que possa continuar produzindo. Muito da produção agropecuária tem espaço para melhoria sem necessidade de novas áreas”, disse Stabile.

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