Mulher foi executada com 36 tiros em Cabo Delgado. Quem a matou? - Plataforma Media

Mulher foi executada com 36 tiros em Cabo Delgado. Quem a matou?

Um vídeo chocante revelou a perseguição e a execução de uma mulher nua e indefesa numa estrada em Cabo Delgado. A Amnistia Internacional analisou as imagens e garante que são verídicas e acusa as forças armadas de barbárie. O Governo diz que é propaganda dos terroristas.

Moçambique está em choque. Um vídeo, filmado à beira de uma estrada por homens com uniformes militares e metralhadoras, mostra o abate à queima-roupa de uma mulher nua e indefesa e foi postoa circular nas redes sociais.

A Amnistia Internacional (AI) realizou a análse laboratorial dos elementos e garante a sua veracidade e não tem dúvidas quanto à localização: Estrada R698, perto de uma subestação eléctrica, localizada do lado oeste de Awasse, em Cabo Delgado.

Sem dúvidas, a organização vinca que a mulher indefesa foi espancada com uma vara de madeira, foi morta com 36 tiros e o seu corpo nu foi deixado na estrada. O relatório garante que os autores foram quatro homens armados com uma variedade de rifles Kalashnikov e uma metralhadora tipo PKM.

Sem certeza total, a Amnistia Internacional indica que os autores do hediondo crime “pareciam ser membros das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM)” e que “todos falam português”. No relatório, a organização sustenta que falou com uma fonte militar moçambicana no local que lhe justificou o assassinato como uma “feitiçaria”.

Propaganda terrorista

Em resposta Amade Miquidade, ministro do Interior, diz que este video é “propaganda enganosa visando culpabilizar as forças defesa moçambicanas”.

“Este vídeo não é o único que os terroristas divulgam. É mais um vídeo, é mais uma imagem que eles divulgam com a intenção subversiva de inverter o acto praticado dirigido contra as Forças de Defesa e Segurança”, disse o ministro do Interior, citado pelo jornal O País.

“Aquilo é um acto macabro, inaceitável. É desumano. Jamais as Forças de Defesa e Segurança fariam algo parecido”, vincou. Acrescenta que “os terroristas, nas suas acções macabras, degolando as suas vítimas, esquartejando-as vivas, provocando uma morte violenta, sem piedade, só demostram o seu carácter brutal”.

Também o ministro da Defesa moçambicano, Jaime Neto, negou hoje que os alegados militares que aparecem a executar a tiro uma mulher sejam das Forças Armadas de Moçambique. “Estou a dizer que não são [as FADM]”, insistiu. Garantindo que os autores das alegadas montagens serão expostos.

“Alguns moçambicanos tiram ou fazem essas imagens ou montagens e entregam lá fora e nós sabemos quem são, vamos expô-los um dia”, destacou aquele governante.

As autoridades moçambicanas, prosseguiu, estão a investigar a origem das imagens e vão encontrar “a fonte”.

Perante esta resposta do Governo de Moçambique, a Aministia Internacional fez saber que é urgente “uma investigação independente e imparcial sobre as violações de Direitos Humanos na província de Cabo Delgado”.

Relatório da AI

“De acordo com a análise do Laboratório de Evidências de Crise da Amnistia Internacional, a mulher não identificada foi morta nas coordenadas ou perto das coordenadas -11.518419, 40.021284, no meio da Estrada R698, perto de uma subestação eléctrica, localizada do lado oeste de Awasse, em Cabo Delgado.

Ela tentava fugir para o norte ao longo da estrada quando foi abordada por homens que pareciam ser membros das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), que a seguiam. Depois de espancá-la com uma vara de madeira, ela foi morta a tiros e seu corpo nu foi deixado na estrada. Quatro homens armados atiraram nela 36 vezes, com uma variedade de rifles Kalashnikov e uma metralhadora tipo PKM.

Os soldados vestiam o uniforme da FADM. Um soldado tem o pergaminho amarelo e preto característico em seu ombro esquerdo. A maioria dos soldados está de uniforme completo, mas o artilheiro do PKM está veste uma camisa vermelha no lugar da camisa de camuflagem padrão.

Todos os soldados falam português e se referem à mulher como ‘Al-Shabaab’, grupo armado local acusado de causar instabilidade na região desde outubro de 2017. No início do vídeo, eles podem ser ouvidos dizendo: ‘Este é Al -Shabaab’, e no final dizem: ’Acabamos de matar o Al-Shabaab’. Uma fonte militar local, que falou com investigadores da Amnistia Internacional, forneceu uma justificação bizarra para o assassinato, alegando que a mulher tinha enfeitiçado o exército moçambicano e se recusou a mostrar-lhes o esconderijo dos insurgentes.

O vídeo apareceu pela primeira vez nas redes sociais em 14 de Setembro, mas foi compartilhado em particular em telefones celulares em 7 de Setembro, o dia em que provavelmente foi filmado, de acordo com fontes da Amnistia Internacional. Isso coincide com a “megaoperação” do Governo para retirar insurgentes de Awasse e Diaca, corroborando a presença de combatentes das FADM nas duas localidades naquele período”

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