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BID alerta sobre década perdida na América Latina por Covid-19

AFP

O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o colombiano Luis Alberto Moreno, alertou ontem (14) sobre a crescente possibilidade de uma década perdida na América Latina devido à pandemia do coronavírus.

Moreno, que a 30 de setembro deixará o cargo após 15 anos no BID, principal fonte de financiamento para o desenvolvimento da América Latina e do Caribe, afirmou que a dívida será um tema para a recuperação da região, que com 8% da população mundial concentra cerca de um terço dos casos de covid-19 do planeta.

“Para mim, o mais importante provavelmente será o problema da dívida”, declarou Moreno durante um fórum virtual organizado pelo centro de reflexão Atlantic Council, ao ser consultado sobre o papel dos Estados Unidos e da comunidade internacional em apoiar a recuperação da região.

Neste sentido, Moreno alertou sobre outra década perdida na América Latina, em alusão aos anos 1980, quando a região se viu obrigada a apertar os cintos para cumprir com os pagamentos da dívida gerada com entidades internacionais.

Moreno explicou que anos depois, durante a crise financeira de 2008, a relação dívida/PIB na América Latina era de pouco menos de 40%. A maioria dos mercados emergentes foram os responsáveis por impulsionar o crescimento da economia mundial.

A situação, porém, é muito diferente agora, explicou Moreno, não somente porque a contração do PIB é “tremenda” em todo o mundo, mas também porque a região está mais endividada.

A relação dívida/PIB “estava em cerca de 58% no início do ano passado”, disse o presidente do BID, que projetou que “poderia chegar a 75% nos próximos 18 meses”.

“Teremos um sobre-endividamento que, se olharmos para trás, para a década de 1980, foi realmente esse sobre-endividamento que não foi resolvido até muito depois, o que essencialmente significou uma década perdida para a América Latina”, analisou.

“Enquanto os países lutam para controlar a propagação da pandemia, a expansão da pobreza, do desemprego e, especialmente, o aumento da dívida, tanto dos lares como dos governos e das empresas, é enorme”, afirmou Moreno.

“Vamos começar a ver os efeitos nos próximos anos”, continuou.

Para o presidente do BID, a crise da covid-19 “sem dúvida” continuará sendo um desafio para a América Latina durante 2021 e provavelmente 2022. 

Moreno, um colombiano nascido nos Estados Unidos, será substituído na presidência do BID em 1º de outubro pelo americano Mauricio Claver-Carone, um assessor do presidente Donald Trump, eleito no sábado para um mandato de cinco anos.

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