A guerra travada pelos Estados Unidos da América contra o terrorismo global calcula-se que tenha deslocado cerca de 59 milhões de pessoas desde 2001, depois do ataque, reinvindicado pela Al Qaeda, ao World Trade Center e Pentágono a 11 de setembro daquele ano.
As conclusões estão plasmadas no estudo divulgado pela Brown University. Entre 37 a 59 milhões de pessoas em oito países de África, Ásia e Médio Oriente “fugiram das suas casas nas oito guerras mais violentas que os militares dos EUA lançaram ou participaram desde 2001”.
O relatório “Criando Refugiados: Deslocamento Causado pelas Guerras dos Estados Unidos Pós-11 de Setembro”, mostram ainda que os número de refugiados aumentou acentuadamente em 2019.
A maioria dos deslocados é oriunda do Iraque (9,2 milhões). A Síria teve o segundo maior número de deslocados, com pelo menos 7,1 milhões de pessoas, e o Afeganistão foi o terceiro com pelo menos 5,3 pessoas deslocadas. O Estado Islâmico também terá contribuido para estes números, principalmente nos últimos anos com as questões ligadas ao Iraque e à Síria, essencialmente.
Os autores do estudo revelam que a estimativa dos números apresentados foi derivada da contagem de refugiados, requerentes de asilo em busca de proteção como refugiados e pessoas ou deslocados internos nos oito países que os EUA mais visaram nas guerras pós-11 de setembro: Afeganistão, Iraque, Paquistão, Iémen, Somália, Filipinas, Líbia e Síria.
O relatório revela ainda que o número de pessoas deslocadas é “quase tão grande quanto a população do Canadá” e “mais do que as deslocadas por qualquer outra guerra ou desastre desde pelo menos o início do século XX, com exceção, naturalmente, da Segunda Guerra Mundial”.
Contudo, os investigadores não apontam apenas o dedo aos EUA. “Não estamos a sugerir que o governo norte-americano seja o único responsável por estes deslocamentos. A causalidade nunca é tão simples. A causalidade envolve uma multiplicidade de combatentes e outros atores poderosos, séculos de história e forças políticas, económicas e sociais em grande escala ”, observam, acrescentando: “Mesmo nos casos mais simples, as condições de pobreza preexistente, mudanças ambientais, guerras anteriores e outras formas de violência moldam quem é deslocado e quem não é.”
O estudo não inclui “os outros milhões que foram deslocados por outros conflitos, onde as forças militares dos EUA estiveram envolvidas anti-terrorista” como foram os casos de Burkina Faso, Camarões, República Centro-Africana, Chade, República Democrática do Congo, Mali, Níger, Arábia Saudita e Tunísia.