De março a agosto, em plena pandemia da Covid-19 e durante e após o confinamento mais severo, espectadores em todo o mundo assistiram a 41,2 milhões de horas de jogo de xadrez online
Em uma tarde recente, milhares de não combatentes assistiam das laterais enquanto seu general ordenava movimentos das tropas no campo de batalha e se engajava em um duelo feroz com o inimigo.
Em certo momento, ele se criticou por um erro tático que poderia ter custado ao seu lado uma derrota no conflito decisivo. Mas mesmo assim abriu um sorriso, e começou a derrotar o inimigo nas manobras.
“Não há como eu perder”, disse Hikaru Nakamura, 32, aos espectadores exultantes. A vitória parecia próxima, à medida que os integrantes do exército inimigo caíam, um a um. “Vou vencer de novo –lá vai, pessoal. Uau!”
Nakamura se permitiu um momento de repouso e logo iniciou um novo embate. Peões, cavalos, bispos e até mesmo reis caíam diante dele enquanto o grande mestre de xadrez demolia uma sucessão de adversários online, e ao mesmo tempo narrava as batalhas para os milhares de torcedores que o assistiam ao vivo no canal de streaming Twitch, o serviço da Amazon no qual as pessoas usualmente se exibem enquanto jogam videogames como Fortnite e Call of Duty.
A pandemia do coronavírus e as ordens de governos para que as pessoas permaneçam em casa coroaram uma série de beneficiários implausíveis, que se provaram capazes de satisfazer as audiências entediadas. Mas assistir a jogos de xadrez online? Será que um dos jogos mais antigos e cerebrais do planeta seria mesmo capaz de se reinventar como um passatempo movimentado o suficiente para capturar o interesse das massas que assistem ao Twitch?
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