Início » Procura por máscaras reutilizáveis “made in Macau” excede oferta

Procura por máscaras reutilizáveis “made in Macau” excede oferta

Meimei Wong

“Quando a epidemia teve início em Macau, questionámos o porquê de a cidade não fazer as próprias máscaras. Porque é que tinham de vir de fora?”, comenta Amy Wong, criadora das máscaras mo-19. Quando em Hong Kong surgiram máscaras com uma tecnologia de micropartículas de prata (SMP) antibacterianas, quisemos utilizá-la para criar máscaras reutilizáveis. 

Amy Wong esclarece que uma vez que Macau não possui fábricas capazes produzir a linha em que são inseridas as micropartículas e por isso esse trabalho é realizado, em Shandong. Uma vez produzido esse fio, o mesmo segue para Shaxi, Zhongshan, para ser transformado em tecido. Esta unidade fabril em Zhongshan, todavia, só começou a aceitar encomendas no passado mês de abril. Só depois dessa data o tecido foi reencaminhado para Macau onde as máscaras são produzidas.“Em maio começámos a trabalhar com uma fábrica têxtil local, assumimos a responsabilidade de lhes fornecer o tecido e ao mesmo tempo possibilitámos que os respetivos funcionários continuassem a trabalhar”, adiantou.

Amy acrescentou que apesar de o produto final apenas ter sido lançado em junho e ter dessa forma perdido o período em que as máscaras tinham maior procura, o primeiro lote de 3.000 máscaras esgotou rapidamente após uma campanha de promoção pública e nas escolas.

 “Agora não temos oferta suficiente. Algumas empresas encomendaram 50 mil máscaras, e este é um mercado grande, mas a fábrica de Macau não consegue acompanhar. Mesmo assim insistimos em manter as nossas máscaras “Produzidas em Macau” e não planeamos contactar qualquer outra fábrica têxtil. Esperamos, no entanto, que os residentes continuem a procurar máscaras feitas em Macau. Se produzíssemos no continente conseguiríamos receber muitas mais encomendas e responder à procura”, acrescentou. 

A responsável não excluiu, todavia, a possibilidade de acabar por produzir as máscaras no Vietname, Malásia ou continente. 

Sum Chao, outro dos criadores da mo-19, contou que estas máscaras têm uma capacidade de filtragem igual à das máscaras cirúrgicas. A respetiva camada interior é de tecido com uma tecnologia de micropartículas de prata (SMP) antibacterianas, e a camada exterior é impermeável. 

Os três fundadores da mo-19 Máscaras Reutilizáveis (da esquerda para a direita) Amy Wong, Sum Chao e Cheong Keong

Estas possuem ainda uma capacidade de filtragem de 95 por cento das partículas e 99 por cento das bactérias. É mesmo assim recomendado que se substitua a máscara após um longo tempo de uso ou caso o tecido esteja danificado. 

Cheong Keong, outro dos fundadores da mo-19, partilhou que existem atualmente muitos produtos com tecnologia antibacteriana de prata, mas grande parte utiliza nanopartículas ionizadas. A tecnologia SMP baseia-se na atração entre cargas negativas e positivas. Em geral, a camada exterior das bactérias tem uma carga negativa, e as partículas de prata possuem uma carga positiva. Quando as bactérias entram em contacto com as micropartículas da máscara, são atraídas e a sua estrutura é destruída. 

Disse esperar que esta tecnologia impulsione o desenvolvimento desta indústria em Macau, possibilitando que estes produtos sejam depois vendidos no resto da Área da Grande Baía e até em países lusófonos. 

Máscaras descartáveis são mais baratas do que as reutilizáveis, e o Governo anunciou um plano de fornecimento de máscaras em fevereiro. Todavia, as máscaras de tecido continuam a ser muito populares. 

Amy Wong considerou que as preocupações relacionadas com a proteção ambiental e a moda são as principais razões que levam a que os residentes de Macau escolham máscaras reutilizáveis. 

Para Sum Chao há uma explicação: “É como a diferença entre o conforto de uma roupa interior descartável e uma lavável, o tecido é sempre uma escolha mais confortável”. 

Amy admitiu mesmo assim que devido à baixa margem de lucro das máscaras, ainda não conseguiram recuperar o respetivo custo desde o lançamento. São os próprios fundadores que são responsáveis pela logística, marketing e tecnologia do produto, e apenas o design das embalagens envolve custos exteriores, ou seja, o preço por unidade é inferior a outras máscaras reutilizáveis. 

“Queremos partilhar com todos que Macau também consegue produzir mascaras reutilizáveis. Queremos ver a população local a usar produtos locais. Se, além disso ainda conseguirmos ter lucro, melhor, mas desde que não haja prejuízo vamos continuar”, assegurou. 

As máscaras reutilizáveis mo-19 podem ser encomendadas online através da página da empresa na rede social Facebook e em algumas lojas em Macau.

DSE

A Direção dos Serviços de Economia, em resposta ao PLATAFORMA, afirmou que até 13 de agosto receberam 11 candidaturas para autorização de produção de máscaras. No total foi emitida uma licença a uma fábrica e licenças temporárias a sete locais de produção. Entre estas, apenas a Fábrica Têxtil Lei Un recebeu a licença industrial para produção de máscaras reutilizáveis. A Fábrica de Ciência da Vida Ásia-Pacífica de Macau, o Laboratório Farmacêutico Alemão (Macau) Lda., a Macau Artisan, a 853 Face Mask, a AS King, a Macau Nanopac, e a fábrica Lianao estão apenas a produzir máscaras cirúrgicas e existem outras três candidaturas em avaliação.

Contate-nos

Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

Plataforma Studio

Newsletter

Subscreva a Newsletter Plataforma para se manter a par de tudo!

Uh-oh! It looks like you're using an ad blocker.

Our website relies on ads to provide free content and sustain our operations. By turning off your ad blocker, you help support us and ensure we can continue offering valuable content without any cost to you.

We truly appreciate your understanding and support. Thank you for considering disabling your ad blocker for this website