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Exclusivo Plataforma: Em Beirute, “os vidros rebentaram e feriram mais de 2000 pessoas”

Filipe Sousa

“Moro muito perto do porto. No meu prédio, as portas e janelas de viro rebentaram. Há mais de 2000 pessoas com cortes causados pelos estilhaços.” Relato exclusivo ao Plataforma de Karson Anderson, professora norte-americana, que mora em Beirute desde 2017.

Por sorte, no momento da explosão, Karson, que é professora na ACS Beirut desde 2017, estava nas montanhas, a 20 minutos, de casa, que fica no bairro de Geitawi, quase colado ao porto de Beirute. Tinha saído 2 horas antes do estrondo, mas, apesar da distância de 15 kms, deu para sentir a terra tremer e era possível ver o fumo.

Quem não teve a mesma sorte foi a colega de casa de Karson, Marlene Ghajar, que estava no apartamento e sofreu na pele o impacto da explosão.

Karson conta que em Chipre ouviram e sentiram a explosão. De Beirute até Chipre são 45 minutos de avião.

Segundo se tem feito saber em Beirute, a causa não terá sido fogo de artificio armazenado no porto. “O fogo começou e acabou por chegar a uma área onde existiam produtos químicos. Quando o fogo entrou em contacto, a ignição provocou a explosão.” A Rede Bandeirantes já avançou a mesma versão, entre outras mais bélicas:

Segundo informações dos meios de comunicação libaneses, no porto de Beirute estava um barco com um carregamento de trigo. Este detalhe é muito importante, num momento em que o país atravessa diversos problemas económicos e de abastecimento. O trigo é um dos produtos cujo preço subiu brutalmente nos últimos tempos e, a destruição do carregamento pode ser mais um problema no meio da crise.

Karson Anderson mora nas imediações do porto de Beirute, um dos 3 maiores portos do Líbano. Nas áreas envolvente há um misto de edifícios residenciais e comerciais, restaurantes e comércio, além de edifícios empresariais. Muitos dos edifícios têm (tinham) montras, o que dá uma ideia da quantidade de vidros que estilhaçaram com a explosão.

O full lockdown em Beirute, que tinha começado no dia 30 de julho, terminou segunda-feira, por isso, foi um dia em que as pessoas voltaram a sair à rua. Os carros voltaram a circular e o trânsito na área próxima ao porto estava bastante agitado.

As duas explosões na capital do Líbano foram sentidas em várias zonas da cidade. Segundo a Cruz Vermelha, há mais de uma centena de mortos e 4000 feridos. (números em attualização).

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