Guineenses exigem intervenção da UE contra "golpe de Estado" na Guiné-Bissau - Plataforma Media

Guineenses exigem intervenção da UE contra “golpe de Estado” na Guiné-Bissau

Centenas de guineenses protestaram hoje em Bruxelas, Bélgica, contra o que dizem ser um “golpe de Estado” na Guiné-Bissau e exigiram uma maior intervenção da União Europeia. Uma manifestação que já tinha sido anunciada.

“Nós, guineenses na diáspora, a maior parte dos quais a viver na Europa, achamos extremamente importante vir à capital da União Europeia exigir que não vire as costas à Guiné-Bissau“, disse à Lusa um dos organizadores do protesto, Rui Francisco Pinto Ribeiro.

O médico deslocou-se a Bruxelas proveniente de Portugal, tal como outros manifestantes que viajaram de vários países europeus, incluindo França, Luxemburgo e Inglaterra.

“A União Europeia financia a força de interposição [Ecomib, da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO)]. Aconteceu algo de novo na minha terra e nós na diáspora admitimos que é um golpe de Estado e achamos absurdo que no século XXI ainda existam golpes de Estado”, disse.

Rui Francisco Pinto Ribeiro afirmou também que quando o “povo decide não pode haver uma força militar a apoiar um civil a ascender ao poder pela força”.

“O Governo [de Aristides Gomes] veio das eleições, tinha um programa aprovado pela Assembleia Nacional Popular. Tira o Governo para criar um Governo da sua conveniência”, lamentou o médico guineense, referindo-se ao Presidente, Umaro Sissoco Embaló.

Depois de a Comissão Nacional de Eleições ter declarado Umaro Sissoco Embaló vencedor da segunda volta das eleições presidenciais, o candidato dado como derrotado, Domingos Simões Pereira, líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), não reconheceu os resultados eleitorais, alegando que houve fraude e meteu um recurso de contencioso eleitoral no Supremo Tribunal de Justiça, que não tomou, até hoje, qualquer decisão.

Umaro Sissoco Embaló autoproclamou-se Presidente da Guiné-Bissau em fevereiro e acabou por ser reconhecido como vencedor das eleições pela CEDEAO, que tem mediado a crise política no país, e restantes parceiros internacionais.

Após ter tomado posse, o chefe de Estado demitiu o Governo liderado por Aristides Gomes, saído das eleições legislativas de 2019 ganhas pelo PAIGC, e nomeou um outro liderado por Nuno Nabian, líder da Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), que assumiu o poder com o apoio das forças armadas do país, que ocuparam as instituições de Estado.

A CEDEAO tinha exigido a nomeação de um Governo que respeitasse os resultados das legislativas de 2019, ganhas pelo PAIGC, mas, entretanto, felicitou o Governo de Nuno Nabian pela aprovação do seu programa de governo no parlamento.

A manifestação de hoje, segundo Rui Francisco Pinto Ribeiro, pretende também mostrar que a diáspora pode influenciar e solicitar a intervenção internacional, nomeadamente à União Europeia, para exigir junto da Organização das Nações Unidas (ONU) a presença de capacetes azuis no país e a imposição de sanções.

“É preciso cortar o mal pela raiz. A lei está acima de tudo”, disse, salientando que a diáspora é fonte de receita da maior parte dos guineenses.

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