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Genocídio, negação e a maior vergonha europeia desde a Segunda Guerra

Ricardo Alexandre

Julho. 1995. Srebrenica, Bósnia-Herzegovina. Capacetes azuis holandeses borrados de medo, sérvios bósnios armados até aos dentes e muçulmanos bósnios, homens e rapazes, assassinados enquanto fugiam. Mais de oito mil. O Tribunal de Haia considerou que era genocídio. Em Belgrado, ainda se nega.

Não é fácil viver ao lado dos que, 25 anos depois, continuam a negar que um genocídio foi cometido”, dizia à agência de notícias francesa AFP, o político local Hamdija Fejzic, assim sintetizando o sentir de muitos muçulmanos bósnios, sobre os sérvios locais que continuam a dizer que o massacre de mais de oito mil homens e rapazes muçulmanos bósnios foi “um mito”.

Esta é, pois, uma história de massacres, morte e impotência política europeia. Há 25 anos. Faz este sábado.

Antes da guerra começar no inicio dos anos 90, viviam 36 mil pessoas em Srebrenica: dois terços muçulmanos bósnios, um terço sérvios bósnios. Srebrenica era uma vila termal, um sítio próspero, para os padrões da antiga Jugoslávia.

Na primavera de 1992, muçulmanos bósnios atacaram uma aldeia sérvia na região, os sérvios responderam e cercaram Srebrenica. Era ainda o princípio da guerra civil no país que durou quase quatro anos, muita gente fugiu para a cidade grande mais próxima, Tuzla, persistentemente multiétnica. A 11 de maio desse ano, os habitantes locais expulsaram as forças sérvias e declararam o Estado Livre de Srebrenica.

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