Políticos pedem ação da ONU sobre esterilização forçada a mulçumanos uigures na China - Plataforma Media

Políticos pedem ação da ONU sobre esterilização forçada a mulçumanos uigures na China

Políticos de todo o mundo apelaram na terça-feira para uma investigação por parte das Nações Unidas (ONU) à alegada campanha do Governo chinês que visa reduzir as taxas de natalidade entre membros da minoria étnica chinesa de origem muçulmana uigur.

O Governo de Pequim negou as acusações e disse que trata todas as etnias de acordo com a lei, noticia a agência AP, que divulgou uma investigação na segunda-feira na qual revelou uma prática sistemática no sentido de reduzir a natalidade entre chineses muçulmanos, depois de mulheres uigures terem denunciado o controlo forçado da natalidade.

A agência analisou estatísticas e documentos oficiais e fez entrevistas com 30 ex-detidos e um antigo instrutor num campo de doutrinação em Xinjiang, no extremo noroeste do país.

A Aliança Interparlamentar da China e um grupo de políticos europeus, australianos, norte-americanos e japoneses de várias ideologias políticas exigiram uma investigação independente da ONU.

“O mundo não pode permanecer calado diante das atrocidades”, destacou o grupo em comunicado.

A China é acusada de manter detidos cerca de um milhão de uigures em centros de doutrinação política em Xinjiang. Especialistas consideram que a campanha dos últimos quatro anos constitui um “genocídio demográfico”.

O Estado submete regularmente mulheres de minorias étnicas a testes de gravidez e força dispositivos intrauterinos (DIU), esterilizações e até abortos em centenas de milhares, segundo a AP.

A Comissão de Liberdade Religiosa Internacional dos EUA pediu também uma investigação da ONU e do Departamento de Estado daquele país, considerando que a campanha de controlo de natalidade do Governo chinês “pode enquadrar os critérios legais de genocídio”, com “intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso”.

O último governador colonial de Hong Kong, Chris Patten, disse à canal televisivo Bloomberg que a campanha de controlo da natalidade é “indiscutivelmente algo que se enquadra nos termos das opiniões da ONU sobre os tipos de genocídio”.

Já o Comité de Relações Internacionais do Senado dos EUA considerou aquela prática de “deplorável”.

“Uma nação que trata o seu próprio povo daquela maneira nunca deve ser considerada uma grande potência”, destacaram os senadores norte-americanos Kirsten Gillibrand e Kamala Harris.

Os Estados Unidos, através do chefe da diplomacia norte-americana, Mike Pompeo, apelaram na segunda-feira à China para que “pare imediatamente” com a esterilização forçada aos muçulmanos uigures.

Em comunicado, Pompeo apelou “ao Partido Comunista Chinês para parar imediatamente com estas práticas terríveis” e desafiou “todos os países a unirem-se aos Estados Unidos para pedir o fim destes abusos desumanos”.

O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Zhao Lijian, reagiu na terça-feira às acusações e apelidou Mike Pompeo de “mentiroso descarado”.

A China disse mesmo que a população uigure mais que duplicou desde 1978.

“Se Pompeo está a dizer a verdade, como pode explicar o grande aumento da população uigure?”, questionou Zhao Lijian.

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