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“Podem ter o petróleo, mas escravatura em Cabinda não”; diz líder da FLEC

Paulo Rego

Emmanuel Nzita entende o valor do petróleo de Cabinda, não só para Angola como para muitas outras potências envolvidas na sua exploração. “Todos podem beneficiar” dessa riqueza, no contexto da economia global, mas não a troco da “escravatura” nem do direito à “autodeterminação”. Em Entrevista ao PLATAFORMA, o líder da Frente de Libertação do Enclave de Cabinda queixa-se ainda do abandono dos refugiados, por quem “ninguém faz nada”, apontando o dedo a António Guterres e às Nações Unidas .

Mais de metade do petróleo que Angola exporta é extraído em Cabinda, circunstância que Emmanuel Nzita reconhece que terá influência num eventual processo de negociação – para além das questões históricas, políticas ou culturais que sustentam o desejo de autodeterminação. Mas isso não pode impedir uma solução. Porque “Angola é rica”, e em primeiro lugar está “a dignidade do povo de Cabinda”. Até porque os interesses em volta do petróleo podem ser salvaguardados de outras formas, remata Nzita.

O problema dos refugiados arrasta-se, quer em Cabinda quer na República Democrática do Congo, para onde muita gente foge da guerra. Emmanuel Nzita descreve um cenário de completo abandono e acusa as Nações Unidas de terem virado costas aos cabindas.

Depois do cessar-fogo anunciado pela FLEC-FAC, no contexto da crise pandémica, os combates voltaram a 4 de Julho; segundo Emmmanuel Nzita, por responsabilidade das Forças Armadas Angolanas. Nesta entrevista ao PLATAFORMA, faz um apelo a negociações que acabem com o conflito em Cabinda.

Outros temas da entrevista exclusiva ao Plataforma do líder da FLEC-FAC:

“Ponto a negociar a paz, em Portugal, Luanda, Cabinda, no céu ou no inferno”

“Portugal tem a carta maior”, Guterres “não dá resposta”

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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