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Massacres em Cabo Delgado por “contratos de segurança” no negócio do gás

Paulo Rego

Adriano Nuvunga explica os massacres em Cabo Delgado. Há de tudo: “corrupção militar”, “conflitos étnicos”; pobreza, que atira os jovens aos braços do “Corão”… Mas o “busílis” é outro: a “luta interna”, entre “os grandes chefes” com interesses políticos e económicos – e domínio militar – no “acesso aos contratos de segurança com as multinacionais do gás natural”.

Estes “interesses”, reconhece o diretor do Centro para a Democracia e Desenvolvimento, ONG – sede em Maputo – exploram em Cabo Delgado “várias redes de problemas que se sobrepõem”. Há uma dimensão étnica, com parte da população a ver os Macondes – Tanzânia – como privilegiados pelo Estado, dada o seu papel na luta pela independência; mas também a disputa dos recursos naturais, que atraem interesses de várias origens, dentro e fora de África… E até existe a ameaça do Estado Islâmico, que “pode estar a ser o framework utilizado, e até recrudescer para uma situação de franchising do Estado Islâmico”. Mas “isso não explica o conflito”, remata Nuvunga.

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, surpreendeu o mundo ao assumir interesses ligados a “elites internas” na luta armada em Cabo Delgado, província rica em minerais e, sobretudo, em gás natural. Adriano Nuvumga, diretor do Centro para a Democracia e Desenvolvimento, ONG com sede em Maputo, vai direto à questão: “Os interesses dos grandes chefes, num quadro onde o Exército viu muitas coisas de corrupção”, estando “alienado”, ou interessado “no acesso” a esses benefícios.

Neste quadro, sustenta Nuvumga, “o grande erro” foi não se ter profissionalização o Exército, melhorando as suas condições enquanto “tropa de elite”, dando em disso às suas chefias “o acesso aos negócios”. Professor de ciência política, o ativista dos direitos humanos e políticos que tem denunciado os massacres em Cabo Delgado, sustenta que os contratados milionários de segurança privada, à “americana”, serão a verdadeira razão pela qual se espalha o terror em Cabo Delgado.

Adriano Nuvunga diz que a organização que dirige conta com uma rede de “cerca de 3.000 pessoas” lhe passam informação sobre “o que se passa em Cabo Delgado”.

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