Argentina negoceia para tentar sair do default - Plataforma Media

Argentina negoceia para tentar sair do default

O Governo argentino anunciou que estendeu, por mais uma semana, o prazo que vencia na sexta-feira para concluir um acordo com os credores privados estrangeiros, enquanto prepara uma nova oferta para reestruturar 66.283 milhões de dólares.

Paralelamente, a Argentina também estendeu até terça-feira os acordos de confidencialidade que permitem continuar as negociações com os credores sobre os últimos detalhes dessa segunda, e última, proposta antes de a apresentar à Comissão de Títulos e Câmbio dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês).

“Estende-se a data de conclusão da oferta para poder emendá-la depois de terça-feira quando terminam os acordos de confidencialidade”, anunciou o ministro da Economia, Martín Guzmán, através de uma nota.

Antes, porém, o Ministério da Economia informava que “desde a extensão anterior, a República manteve debates com diversos grupos de investidores”, que “está a analisar sugestões para maximizar o apoio dos investidores”.

A Argentina tem analisado as contra-propostas dos credores para ver se pode melhorar a sua oferta e, assim, obter o máximo de adesão possível.

Para que a reestruturação seja bem sucedida, a proposta argentina precisa de ser aceite por 66% até 85% dos credores, dependendo de cada título. Caso contrário, o país aprofundará o incumprimento no qual entrou no dia 22 de maio ao falhar o pagamento de 503 milhões de dólares relativos os juros de três títulos públicos.

“A nova extensão, ao mesmo tempo, revela que ainda persiste uma considerável distância entre a posição da Argentina e a dos credores”, avalia o economista Marcelo Elizondo, diretor da consultoria Desenvolvimento de Negócios Internacionais (DNI).

Da oferta inicial em 21 de abril, a Argentina reconhecia cerca de 40 cêntimos de cada dólar devido. O país melhorou a oferta até reconhecer, há duas semanas, entre 45 e 47 cêntimos de cada dólar de dívida. Esta decisão surge depois de a sua posição inicial ter sido rejeitada por 87% dos credores.

Por outro lado, os credores, divididos em três grandes grupos, também cederam nas suas exigências que variavam inicialmente entre 55 e 60 cêntimos por dólar e que chegaram a um número entre 53 e 57 cêntimos, dependendo de cada título.

O mercado acredita que a Argentina possa chegar a 50 cêntimos e até mesmo a 52 cêntimos num último esforço de aproximação com os credores, reduzindo para metade a dívida atarvés da negociação.

Se a nova oferta Argentina ficar acima dos 50 cêntimos por cada dólar, terá superado o nível técnico que o próprio Fundo Monetário Internacional indicou, há dez dias, como um limite de sustentabilidade para a dívida argentina, isto é, que o país possa pagar sem comprometer a sua trajetória de crescimento.

Os valores revelados pelos credores indicam que a média de juros de 2,33% que a Argentina queria pagar inicialmente passou a 4,25%. A redução de capital prevista inicialmente em 5,4% caiu para 1% e poderia ser anulada numa próxima oferta.

O período de carência de três anos passaria agora a dois anos. E, se antes a Argentina não pagaria nem juros nem capital durante esse período, agora aceitaria emitir um novo título para compensar com juros os anos de carência.

“Esse é o instrumento considerado um adoçante” pelos negociadores e que poderia definir as chances de sucesso das negociações”, considera Marcelo Elizondo.

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