No caminho da Plataforma - Plataforma Media

No caminho da Plataforma

Pereira Coutinho tem dúvidas sobre a compatibilidade entre regimes jurídicos tão diferentes, como o chinês e o de Macau, o que dificulta a plataforma comercial na Grande Baía. Sulu Sou quer saber se a RAEM consegue liderar o processo, face aos interesses de Hengqin. Mas o facto é que há um largo consenso entre os deputados ouvidos pelo PLATAFORMA, após o Chefe do Executivo ter apresentado as Linhas de Ação Governativa, na Assembleia Legislativa. A ideia chave é a de que a integração regional não impede a ponte para a Lusofonia. Antes pelo contrário, pode potenciá-la.

Agnes Lam Iok Fong
O Governo tem desenvolvido a cooperação, enquanto plataforma com Hengqin, aproveitando as vantagens de Macau como cidade internacional, ajudando a desenvolver relações entre a China continental e Países de Língua Portuguesa (PLP). O Relatório das Linhas de Ação Governativa defende que empresas do continente se instalem em Macau para se abrirem ao mercado internacional. Isto também será positivo para o papel como plataforma, ajudando essas companhias a expandir-se para o mercado internacional, incluindo os PLP, e para que empresas dos PLP entrem no mercado da China continental. 

Ella Lei Cheng
O Relatório das Linhas de Ação Governativa fala na cooperação entre a China continental e os PLP na economia marítima e aponta Hengqin como a plataforma para esta colaboração. Também se fala na criação de um centro de formação China-PLP e do desenvolvimento de recursos humanos bilingues para encorajar os residentes locais a tirar partido dessas oportunidades. O Governo tem de aproveitar as vantagens de Macau na criação desta plataforma, designadamente ao fornecer serviços legais empresariais e recursos humanos bilingues para melhor servir a cooperação comercial entre a China e os PLP. 

Pang Chuan
No âmbito da Plataforma China-PLP, o chefe do Executivo deu enfâse ao desenvolvimento da diversificação económica de Macau. Hengqin poderá oferecer ao território uma grande ajuda nesse caminho. Um dos pontos fortes de Macau é a relação com os PLP, por isso, no futuro, mesmo com o impacto da pandemia nas relações internacionais, acredito que esta plataforma continuará a representar uma vantagem para a cidade. Tem também mencionado repetidamente “Um Centro, Uma Plataforma e Uma Base”, salientando que o papel desta plataforma continuará a ser destacado no desenvolvimento futuro. Sobre a cooperação entre Macau e Hengqin, não se trata apenas de uma ajuda, mas sim um desenvolvimento das vantagens de cada uma das regiões, a que acrescenta os laços históricos com países de língua portuguesa. As redes sociais, económicas e a língua em comum representam isso mesmo. 

Ma Chi Seng
O Relatório fala da Plataforma entre a China e os PLP e do reforço da cooperação de Macau com Hengqin, incluindo a componente sino-lusófona. 

Nelson Lam Lon Wai
Completada a Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os PLP, Macau assumiu um papel muito importante em todos os “Fóruns China-PLP”. A longo prazo, a maioria dos PLP serão países em desenvolvimento com grande potencial de produção. No contexto atual do surto de novo coronavírus, Macau poderá, em cooperação com Guangdong, apostar no parque industrial de medicina chinesa, usando essa plataforma para partilhar conhecimentos e desenvolver novas tecnologias, para que no pós-vírus a cidade possa acelerar as trocas entre as duas regiões. Hengqin poderá fornecer a Macau o hardware, e juntar na região talentos chineses e dos PLP. 

Si Ka Lon
O chefe do Executivo menciona formas específicas de desenvolver a plataforma China-PLP, como por exemplo através da indústria de desportos de lazer. No passado, o papel desta plataforma a nível económico não foi muito evidente, porém a cultura e indústria do desporto são um bom ponto de partida. Reforçando as vantagens da Macau, o espaço para desenvolvimento futuro da Plataforma com a ajuda de Hengqin será ainda mais alargado. 

Sulu Sou Ka Hou
Considero um pouco estranho que a plataforma ainda esteja na fase inicial de construção e já tenham sido completadas algumas das suas principais infraestruturas. Embora Hengqin seja perto de Macau, não faz parte do território. Ou seja, o Governo precisa de clarificar se será Macau que irá servir de plataforma ou Hengqin. Pois, se Governo central decidir mudar a direção deste desenvolvimento, Macau poderá apenas participar de forma passiva nessa cooperação. 

José Pereira Coutinho
Entendo que o papel reservado a Macau enquanto plataforma – no relacionamento entre a China e os Países de Língua Portuguesa (PLP), assim como em todas as outras questões, locais e mundiais, vai ficar extremamente afetadas com pandemia e a crise de saúde global.
Vamos ter de aguentar, mas prevejo que vindo dias melhores e ultrapassadas as questões de saúde pública isso não significa que Macau, enquanto Centro (mundial de turismo e lazer), Base (de intercâmbio cultural, com predominância da cultura chinesa) e Plataforma (de serviços entre a China e os PLP), tenha viabilidade.
Macau, Hong Kong e República Popular da China têm sistemas e legislações diferentes. Por isso não é ácil coordenar e implementar o tal desenvolvimento económico na Grande Baía e no âmbito dos PLP.
Essa questão nunca foi resolvida nos últimos 20 anos e não acredito que o seja nos próximos.Essa questão nunca foi resolvida nos últimos 20 anos e não acredito que o seja nos próximos. 

Ho Ion Sang
No futuro haverá uma maior promoção do uso da plataforma para salientar todos os pontos positivos de Macau dentro da Área da Grande Baía, incluindo a criação de um centro de liquidação de RMB transfronteiriço e o uso de Macau para uma cooperação mais próxima com países de língua portuguesa em comércio, cultura e turismo. Hengqin poderá oferecer a Macau a oportunidade de ter um desenvolvimento económico mais diversificado. 

Chui Sai Peng
O chefe do Governo deixou claro que a pandemia terá um impacto sobre múltiplas áreas, mas chegará um dia em que a situação estará controlada, e por isso falamos do desenvolvimento desta plataforma a longo prazo. Em Macau existe uma base cultural sólida, mas o espaço é limitado, fazendo com que necessite de Hengqin para uma série de projetos. O relatório salienta que foram assinados acordos para outras zonas de cooperação e, claramente mais espaço irá trazer mais oportunidades. 

Leonel Alves (Membro do Conselho Executivo)
Estruturalmente há condições para Macau contribuir para o aprofundar das relações entre a China e os PLP, dos pontos de vista económico, financeiro e cultural. Estamos perante uma caminhada de longo prazo que já tem alicerces.
Existe vontade das partes em prosseguir essa caminhada. Tenho o entendimento de que esta crise não vai afetar essas relações e, pelo contrário até poderá ajudar a consolidar e solidificar essas relações.
Vemos desde o início da crise o que tem sido feito, pela China e Macau, no âmbito da ajuda humanitária a esses países. Esse espírito de ajuda prevalece. Conclusão: este grande objetivo que é a plataforma que junta pessoas, cultura e empresários é uma realidade mais concretizável no futuro. 

JOHNSON CHAO, MEI MEI WONG, ANTÓNIO BILRERO 24.04.2020

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