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Tsai volta a ficar na História

Ficou na História há quatro anos por ser a primeira mulher presidente da ilha. Agora repete o feito por ser a candidata que reuniu mais votos desde que Taiwan tem eleições. Tsai Ing-wen ganhou as presidenciais com uma vitória esmagadora.

Mais de oito milhões de eleitores escolheram Tsai Ing-wen, que derrotou por 2,6 milhões de votos o principal rival Han Kuo-yu, do Partido Nacionalista, que defende a aproximação à China continental. A atual presidente foi eleita para um segundo termo de quatro anos com cerca de 57 por cento dos votos, e bem mais dos que teve em 2016 quando 6,9 milhões de eleitores lhe deram a primeira vitória. O principal opositor, do Kuomitang, ficou-se pelos 38,6 por cento, perto de 5,5 milhões de votos. O candidato James Soong, conservador e favorável a Pequim do pequeno Partido Primeiro o Povo, conseguiu 600 mil.
O Partido Democrático Progressista, liderado por Tsai e pró-independência, também conseguiu a maioria no Parlamento. Elegeu 61 deputados, e o Kuomitang 38.
O presidente do principal partido da oposição e outros responsáveis demitiram-se, assumindo a responsabilidade da derrota nas eleições presidenciais e legislativas. A reeleição de Tsai poderá levar ao aumento das tensões com Pequim. As relações oficiais foram suspensas desde que assumiu a liderança da ilha, em 2016, e depois de se ter recusado aceitar o “Consenso de 1992” – que pressupõe que há apenas uma China apesar da ambiguidade de quem a governa, se Taipé ou Pequim.
Taiwan está politicamente separada da China há 70 anos. O território, considerado independente por um pequeno grupo de países, reclama um estatuto de Estado separado da República Popular da China, desde a guerra civil de 1949.

Tsai Ing-wen:
Tem 63 anos e como grande causa a defesa da soberania de Taiwan contra a visão do Governo central de que a ilha faz parte da China continental.
Tsai, a mais nova de 11 filhos, nasceu numa vila costeira no sul de Taiwan. Mudou-se para a capital, Taipé, com 11 anos. A etnia mestiça – filha de pai Hakka e mãe Taiwanesa, e neta de uma avó que pertencia a um grupo indígena não chinês de Taiwan – é apontada como um dos factores que contribuiram para que conseguisse angariar apoiantes.
Licenciou-se em Direito, na Universidade Nacional de Taiwan, fez o mestrado na Faculdade de Direito da Universidade Cornell, em 1980, e completou o doutoramento quatro anos depois em Ciência Política e Económica, na Faculdade de Londres.
Nos anos 90, esteve nas negociações na entrada de Taiwan na Organização Mundial do Comércio e é convidada a integrar o Conselho de Segurança Nacional, nos tempos do antigo presidente Lee Teng-hui.
Em 2004, junta-se ao Partido Democrático Progressista (DPP, na sigla em inglês) e rapidamente, quatro anos depois, torna-se a líder do partido depois de uma pesada derrota nas eleições presidenciais.
Candidata-se a presidente pela primeira vez em 2012, mas perde. Só nas seguintes eleições, em 2016, consegue o feito de ser a primeira mulher eleita. Apesar da vitória massiva de agora, não teve a vida facilitada no primeiro mandato. A tentativa de promover a energia verde valeu-lhe acusações de quase provocar uma escassez energética, a iniciativa de implementar dois dias de folga semanais obrigatórios para todos os trabalhadores foi rejeitada com críticas de que a medida iria prejudicar em vez de aumentar os rendimentos e férias dos funcionários; e a legalização do casamento gay, que lhe valeu fortes elogios fora da ilha e o feito de ser o primeiro território asiático a fazê-lo, contribuiu para alguma impopularidade interna.
No primeiro mandato, o salário mínimo, investimentos e mercado de ações subiram, assim como os benefícios sociais, por exemplo ao nível dos apoios a crianças e idosos, e habitação pública.
Ao contrário, as exportações caíram e a média de crescimento do PIB nos últimos quatros anos – cerca 2,7 por cento – foi menor que a registada no primeiro mandato do presidente que a antecedeu. A média salarial também subiu ligeiramente, mas era igual à verificada há 16 anos tendo em conta a inflação, além de continuar a ser a mais baixa dos Tigres Asiáticos. Tsai falhou ainda na resposta a problemas fulcrais como o preço elevado da habitação. Aparentemente terá sido a forte oposição contra Pequim que lhe valeu a vitória.

 

“Espero que Pequim perceba que esta Taiwan democrática e o nosso Governo eleito democraticamente não vai ceder a ameaças e intimidações”, disse a presidente reeleita. Tsai acrescentou que as relações entre ambas as partes do Estreito devem assentar na “paz, igualdade, democracia e diálogo 

“Não trabalhei o suficiente. Independentemente do que aconteça, mantenho a esperança de ver uma Taiwan unida. Peço à presidente Tsai que se foque em dar à população condições que lhe permita viver de forma segura e feliz”, afirmou o derrotado Han Kuo-yu, em Kaoshiung, onde é presidente da câmara

“Defendemos veementemente a nossa soberania nacional e união territorial, e opomo-nos firmemente a qualquer tentativa ou forma de dividir o país”, avisou Ma Xiaoguang, porta-voz do Gabinete dos Assuntos de Taiwan da China

“Taiwan voltou a mostrar a força do seu sólido sistema democrático. Sob a sua liderança [de Tsai], esperamos que Taiwan continue a servir como um brilhante exemplo para os países que lutam pela democracia”, realçou o chefe da diplomacia norte-americano, Mike Pompeu 

“Os nossos sistemas de governança estão fundados num compromisso partilhado de democracia, Estado de Direito e direitos humanos”referiu uma porta-voz do Alto Representante da União Europeia para a Política Externa, num comunicado em que felicita a presidente reeleita

“Retrocessos momentâneos são apenas bolhas que ficam para trás nas marés da História (…)Queremos alertar diretamente Tsai Ing-wen e o partido para que não ajam voluntariamente e com imprudência por causa de um golpe temporário”escreveu a agência oficial Xinhua

“Os factos dos últimos anos já provaram que a nossa vantagem assente na ‘Força do Continente, fraqueza de Taiwan’ no equilíbrio de poder no Estreito aumentará ainda mais”escreveu o jornal pró-partido Comunista Chinês People’s Daily

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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