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EDP: Mercado à espera que CTG suba a parada

O valor oferecido pela China Three Gorges pelo controlo da EDP é considerado baixo pela administração da empresa, analistas e mercado – que segue a valorizar as cotações da elétrica acima da proposta de OPA.

Com o mercado a dar mais pela EDP do que a China Three Gorges, são fortes as expectativas de uma subida no prémio aos acionistas na oferta apresentada pela elétrica chinesa que, na última terça-feira, viu a sua proposta rejeitada pela administração de António Mexia. A bola está agora do lado da CTG, com analistas e mercado igualmente expectantes quanto a uma possível contraoferta oriunda do mercado europeu.

O preço de 3,26 euros oferecido pela CTG por cada ação da elétrica portuguesa “não reflete adequadamente” o valor da companhia, com o prémio implícito na oferta a ser considerado “baixo”, atendendo à “prática seguida no mercado europeu de ‘utilities’ nas situações onde existiu aquisição de controlo”, defendeu na última terça-feira o conselho de administração executivo da EDP.

O prospeto da CTG, entregue ao regulador do mercado de capitais português na passada sexta-feira, oferece aos investidores da elétrica apenas mais 4,8% sobre a última cotação da empresa antes do anúncio preliminar de oferta pública de aquisição (OPA). A CTG alega que o prémio aos acionistas está 10,8% acima da cotação média da empresa nos últimos seis meses. Na ultima terça-feira, as ações da EDP valiam já 3,44 euros, mais 10,6% que o valor de início das transações após o anúncio de OPA, e mais 5,5% do que o valor oferecido pela CTG.

Também os analistas estão a rever em alta o preço da empresas portuguesa. Numa média avançada pela Bloomberg, com base nas recomendações de 24 bancos de investimento, o preço-alvo da EDP está agora nos 3,24 euros (antes estava em 2,98 euros).

Desde o anúncio da OPA têm-se avolumado os palpites de mercado quanto a uma possível contraoferta por parte de congéneres europeias, sendo avançados os nomes da Iberdrola (Espanha), Enel (Itália) e Eon (Alemanha), onde antes já figuravam a Engie (França) e Gás Natural (Espanha). A concretizar-se uma contraoferta, a CTG terá, com a atual oferta, larga margem para subir o prémio proposto aos restantes acionistas para que cedam as posições necessárias à aquisição de controlo.

A administração da EDP vai ainda pronunciar-se sobre os restantes termos da oferta da China Three Gorges, onde se inclui a desblindagem dos estatutos da EDP para que uma participação acionista possa ter direitos de votos superiores a 25 por cento – um processo que não deverá ser difícil, caso a oferta avance, já que este teto não se aplica na votação para a sua alteração.

A CTG propõe ainda manter a aposta de expansão internacional da EDP, como fonte de criação de valor, e manter também a atual política de distribuição de dividendos – 19 cêntimos por ação nos exercícios de 2016 e de 2017. Além disso, compromete-se a manter a sede da elétrica em Portugal, garantindo ainda que esta continuará listada de forma independente na Bolsa de Valores de Lisboa. 

E, finalmente, a proposta da elétrica chinesa terá de passar o escrutínio de uma longa lista de 14 reguladores das jurisdições onde a EDP opera, na qual se incluem obstáculos de monta. 

Um deles uma avaliação de concorrência europeia num momento em que a União Europeia se prepara para votar novas regras de escrutínio comum ao investimento direto externo no bloco, visando, especificamente, controlar investimentos chineses em setores como o da energia. 

Outro, potencialmente ainda mais intransponível, é o Comité de Investimento Externo dos Estados Unidos, onde a EDP tem 4,2 GW de capacidade instalada e 7% de quota de mercado na produção energética. O organismo, sob tutela do Departamento do Tesouro norte-americano, tem como atuais orientações, quanto a investimento externo, o princípio de que China e Estados Unidos são competidores estratégicos na economia internacional. 

Maria Caetano  18.05.2018

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