O Fundo Monetário Internacional (FMI) reavaliou de forma ligeiramente mais positiva a sua previsão de 2016 para a China, ao mesmo tempo que reduziu a previsão de crescimento económico global para este ano e o próximo, devido, em parte, ao referendo inesperado do Reino Unido para abandonar a União Europeia.
O FMI reduziu as suas previsões globais para 2016 e 2017 por 0,1 pontos percentuais cada em relação às previsões feitas em abril, ficando nos 3,1 e 3,4 por cento respetivamente.
A organização afirmou que o Brexit causa um aumento “substancial” na incerteza económica, política e institucional. “Se não fosse o Brexit, a previsão global teria sido ligeiramente maior”, afirmou a Atualização do World Economic Outlook divulgada pelo FMI.
A atualização prevê que a economia do Reino Unido cresça 1,7 por cento este ano, menos 0,2 pontos percentuais do que a previsão feita em abril. No próximo ano, o crescimento do país irá abrandar para os 1,3 por cento, menos 0,9 pontos do que a estimativa de abril e a maior redução de todas as economias avançadas.
Para a zona euro, o fundo aumentou a sua previsão deste ano por 0,1 pontos, subindo para 1,6 por cento, e desceu a previsão de 2017 por 0,2 pontos para 1,4 por cento.
A previsão de crescimento da China para 2016 aumentou 0,1 pontos percentuais para 6,6 por cento, e permanece inalterada relativamente a 2017, ficando nos 6,2 por cento.
Os efeitos do Brexit serão provavelmente ligeiros na China, a segunda maior economia mundial, devido ao seu comércio e laços financeiros reduzidos com o Reino Unido.
“Contudo, caso o crescimento na União Europeia seja afetado de forma significativa, o efeito adverso na China poderá ser substancial”, referiu o FMI.
O FMI afirmou que as perspetivas de curto prazo para a China melhoraram devido ao recente apoio em termos de políticas. As taxas de juro de referência foram reduzidas cinco vezes em 2015, a política fiscal tornou-se expansionista na segunda metade do ano, os gastos em infraestruturas melhoraram e o crescimento do crédito acelerou.
O fundo também descreveu os indicadores de atividade real como “um pouco mais fortes do que o esperado” na China, refletindo o estímulo das políticas.
“Embora a atividade industrial e comércio globais tenham estado débeis no contexto do reequilíbrio da China e do investimento geralmente fraco em exportadores de mercadorias, nos meses recentes tem ocorrido um crescimento devido a um investimento mais forte em infraestruturas na China e aos preços mais altos do petróleo”, afirmou o FMI.
Maurice Obstfeld, conselheiro económico e diretor do departamento de investigação do FMI, disse que o FMI melhorou a sua previsão para a China face ao apoio que a autoridade chinesa tem prestado à economia.
O economista admitiu que a China e a União Europeia são importantes parceiros comerciais mútuos e que a desaceleração antecipada na Europa e no cenário base irá afetar ligeiramente a China, possivelmente por 0,1 pontos percentuais em 2016 e 2017.
“Por isso o efeito existe. Está a contrabalançar o aumento gerado pela política que a autoridade tem usado para alcançar a sua meta de crescimento” afirmou numa conferência de imprensa.
Obstfeld manifestou preocupação relativamente a alguns desequilíbrios na economia chinesa, tais como ativos depreciados no sistema bancário e os avanços lentos na transição económica de um sistema de empresas públicas para um sistema mais privado.
Descreveu esses problemas como adversos às tendências que o FMI acha que a economia chinesa está a seguir e às tendências que a autoridade chinesa quer que a economia siga. “Logo, isso leva-nos a manter o nosso número para 2017 inalterado”, disse.
O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, apelou no dia 18 ao investimento por parte de mais empresas privadas e semipúblicas nos projetos-chave a serem lançados durante o período do 13º Plano Quinquenal da China (2016-2020). Li referiu que os interesses e direitos legítimos dos investidores devem ser protegidos.
“O facto de, apesar das incertezas causadas pelo Brexit, a perspetiva de crescimento a curto prazo para a China do FMI permanecer praticamente inalterada sugere que as ameaças imediatas ao crescimento da China a nível interno e externo diminuíram. No entanto, permanecem desafios de mais longo prazo ao sustento deste crescimento sem criar mais riscos no sistema financeiro”, afirmou Eswar Prasad, membro credenciado da Brookings Institution e professor da Universidade Cornell.
Prasad, ex-funcionário do FMI e outrora o seu dirigente na China, disse que a previsão atualizada do FMI ajuda a repudiar as visões excessivamente pessimistas sobre a economia chinesa que se haviam generalizado no início do ano, embora exista ainda bastante argumentação possível para os pessimistas manterem a sua perspetiva negativa.
O relatório do FMI também refere que os efeitos do Brexit se farão provavelmente sentir no Japão, onde um yen mais forte irá limitar o crescimento. O FMI reduziu a previsão de crescimento do Japão para 2016 por 0,2 pontos percentuais, ficando nos 0,3 por cento. No próximo ano, a economia japonesa, a terceira maior do mundo, deverá crescer 0,1 por cento, mais 0,2 pontos percentuais do que o previsto em abril, devido a um adiamento do aumento do imposto sobre o consumo. Nos Estados Unidos, um crescimento mais fraco do que o esperado no primeiro trimestre levou o FMI a reduzir a sua previsão de 2016 para um aumento de 2,2 por cento, menos 0,2 pontos percentuais do que a perspetiva de abril. O FMI manteve a sua previsão para 2017 do crescimento dos Estados Unidos inalterada nos 2,5 por cento.
“Se não fosse o Brexit, a previsão global teria sido ligeiramente maior”, afirmou o FMI.
“Por isso o efeito existe. Está a contrabalançar o aumento gerado pela política que a autoridade tem usado para alcançar a sua meta de crescimento”
Maurice Obstfeld, conselheiro económico e diretor do departamento de investigação do FMI.
Chen Weihua