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Colher dividendos de investimento

Há um ano atrás, por esta altura, o mercado de ações da China continental estava na fase final, ou no período mais alucinador, do seu auge.

O índice de referência da bolsa de Xangai pairava acima dos 4.900 pontos no seu percurso rumo aos céus. Os investidores discutiam por quantos mais meses continuaria a correr o bull market.

A confiança provinha das políticas governamentais de apoio e da liquidez aparentemente ilimitada disponível no mercado, como se viu refletido no aumento explosivo do valor das negociações em margem.

Um amigo meu, que tinha investido fortemente nas ações A (e, claro, estava a colher retornos substanciais na altura), disse-me com naturalidade que um dia o bull market tinha simplesmente começado, apesar de uma subida de mais de 50 por cento no índice ao longo dos passados seis meses, citando um artigo no Diário do Povo. O boom do mercado, afirmava o artigo, tinha emergido segundo exigido pela estratégia de macro-desenvolvimento do país e a necessidade de aprofundar as reformas económicas.

Foi amplamente interpretado como um apoio governamental aos bull markets, e quem iria apostar contra isso?

Contudo, menos de duas semanas mais tarde, a bolha rebentou após o mercado atingir um ponto culminante nos 5.178 pontos. O que aconteceu nos dias seguintes viria a ser recordado como um episódio doloroso raramente visto na história do investimento na China, com milhares de ações a cair repetidamente no seu limite diário de 10 por cento, e com biliões de dólares americanos em avaliação de existências a evaporar numa questão de meses.

Atualmente, o índice de referência de Xangai situa-se pouco acima dos 2.900, cerca de 45 por cento abaixo do seu auge, com poucos indícios de que o mercado possa começar a crescer em breve.

Uma análise de algumas ações específicas poderá ajudar a sentir com mais precisão o grau de devastação causado.

Vejamos o fabricante de comboios de alta velocidade CRRC Corp Ltd, por exemplo. Outrora uma escolha privilegiada entre os investidores devido aos seus presumíveis laços com a Iniciativa governamental “Uma Faixa, Uma Rota”, a chamada ação de conceito, que eu por acaso possuía, viu o seu valor reduzido em três quartos do seu valor recorde no espaço de um ano.

Durante esse tempo não aconteceu nada de consideravelmente negativo na empresa, que foi formada no ano passado após a fusão de duas empresas de material circulante, e se acreditava poder ajudar a evitar a competição feroz e aumentar as margens de lucro. A redes ferroviárias de alta velocidade estão a ligar mais cidades por todo o país. A estratégia nacional “Uma Faixa, Uma Rota” destinada a promover o comércio e conetividade entre a China e países asiáticos e europeus ainda se encontra em pleno andamento. Ainda assim, que alteração drástica sofreu o preço das ações da CRRC!

Muitos atribuíram a situação difícil do mercado ao agravamento da economia chinesa, que cresceu 6,7 por cento no primeiro trimestre, o ritmo mais lento em mais de duas décadas. Foram citadas as autoridades na sua previsão de que o desenvolvimento económico será em forma de “L”, o que significa que haverá uma contração, seguida de uma recuperação penosamente lenta e gradual.

Outros argumentam que as ações da China, mesmo após um colapso, ainda estão sobrevalorizadas. O rácio preço-lucro, um importante indicador da avaliação, situa-se agora numa média de mais de 24 para ações cotadas na bolsa principal, e até 70 para empresas de crescimento cotadas na ChiNext, a bolsa de formato Nasdaq, sendo o rácio ainda considerado por alguns analistas como muito mais alto do que os padrões mundialmente aceites.

Os pessimistas preveem agora que o mercado de ações irá cair ainda mais para cerca de 2.200 pontos dentro de um ou dois anos, antes de efetuar uma curva ascendente sustentável.

Não sou assim tão pessimista. Tendo estado envolvido no mundo das ações há 16 anos, já assisti a muitos atos de insanidade como resultado do comportamento de manada no mercado imaturo da China ainda dominado por pequenos investidores.

Aqui, fatores económicos ou de avaliação raramente afetam as decisões das pessoas no comércio de ações. É a ganância ou o medo que rege as decisões. E quando o medo extremo prevalece, surge uma oportunidade de fazer lucro.

Por isso, não receio um cenário apocalíptico, não estando convencido das razões que o justificam. Na realidade, se o pior efetivamente vier, estou pronto para apostar tudo numa volta-face do mercado de ações.

Afinal de contas, uma vez que a maioria das pessoas perde no mercado, é preciso fazer exatamente o oposto do que os outros fazem se esperamos vencer neste jogo da riqueza.

Flutuação no mercado de ações

O mercado de ações da China irá assistir a imensa oscilação este ano, e o retorno médio anual de fundos especulativos quantitativos estará em torno dos 5 por cento, dizem membros da indústria.

“Ficarei feliz se o índice de referência puder regressar ao nível do princípio de 2016 até ao final deste ano”, disse Li Yizheng, diretor-geral da Steinmetz Solid Asset Management Co, um dos maiores fundos especulativos quantitativos do país em termos de ativos sob sua gestão.

Fundada em 2015, a empresa tem mais de 30 produtos e cerca de 2 mil milhões de yuans (303 milhões de dólares) sob gestão.

O índice de referência da bolsa de Xangai abriu com 3536 pontos a 4 de janeiro, e caiu para 2737 antes do final do mês. Recuperou 12 por cento em março quando os dados económicos deste ano estimularam a confiança dos investidores. Porém, de acordo com Li, o desempenho do índice de referência no primeiro semestre irá provavelmente ser superior ao do segundo semestre.

As seguradoras chinesas, os principais intervenientes no mercado de capitais, também assumem este ano uma abordagem conservadora no mercado, dada a crescente flutuação e riscos.

“A flutuação do mercado de capitais este ano ultrapassou as nossas expectativas. Seremos mais defensivos na nossa estratégia de investimento este ano”, afirmou Li Quan, presidente da New China Asset Management Corporation Limited. “Iremos esperar pacientemente por oportunidades de investimento apropriadas.”

O vice-presidente do Grupo VICC, Wang Xiaoqing, disse que a empresa irá reduzir os investimentos no mercado de ações e escolher mais investimentos de longo prazo em ativos de boa qualidade.

Com a crescente oscilação no mercado de capitais, os fundos especulativos quantitativos, que tomam as decisões de investimento com base num modelo matemático e têm menos relevância relativamente à flutuação do índice, têm captado uma maior atenção dos investidores.

“Recebemos muitas mais questões de investidores institucionais como empresas de valores mobiliários e bancos privados, e a sua expectativa para o retorno do investimento tem sido muito mais baixa relativamente à do ano passado”, afirmou Li.

Como o banco central reduziu a taxa de juro seis vezes, o retorno médio de produtos de gestão de patrimónios desceu para cerca de 4 por cento.

“O retorno médio dos fundos especulativos quantitativos será cerca de 5 por cento este ano, comparativamente aos mais de 20 por cento do ano passado”, referiu Li. “O nosso objetivo é conseguir um retorno de cerca de 16 por cento este ano.”

O retorno de investimento da Steinmetz Solid Asset Management Co excedeu os 40 por cento no ano passado.

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