Estímulo à criatividade - Plataforma Media

Estímulo à criatividade

A criança inicia a sua carreira académica no ensino pré-escolar, fase particularmente importante para o seu desenvolvimento. É “brincando” que se aprende e há que ter cuidado com as pressões, alerta André Ritchie, macaense, que partilhou com o PLATAFORMA a sua experiência enquanto pai. Sem esse caráter lúdico, alerta, desenvolvem-se adultos precoces.

“Acredito firmemente que, pela falta dessa componente [lúdica], muitas vezes na vida profissional são incapazes de ‘think out of the box’. Têm muito medo de arriscar” André Ritchie, pai macaense.

André Ritchie tem um filho de quatro anos, que estuda no Jardim de Infância Costa Nunes, “de matriz portuguesa, o que é uma exceção no universo das escolas de Macau, maioritariamente chinesas”. Na sua opinião, o pré-escolar nas escolas chinesas “é demasiado exigente”, pondo nas crianças “uma pressão inadequada” à 激發創造力 Estímulo à criatividade sua idade. Aos três anos, as crianças são submetidas a um exame oral de admissão, através do qual se testam noções básicas que vão conhecimento do alfabeto ao nomes de frutas, mas também o comportamento. “A pressão que os pais colocam aos filhos e a frustração quando não são admitidas pode vir a ser traumática, sobretudo quando os próprios pais não escondem a desilusão e atribuem culpas aos miúdos”, alerta Ritchie.

Por isso concorda com esta reforma, mesmo indo contra a opinião dominante. “Por estas bandas não se aceita muito o conceito de ‘aprender brincando”. Por um lado, por conservadorismo e estreiteza mental; por outro, por se valorizar a competitividade, as pessoas avaliem a aprendizagem apenas por parâmetros concretos e quantificáveis: já sabe a tabuada toda? Sabe fazer contas com frações? E solucionar equações? Quantos carateres já aprendeu? Recita poemas? Quantos nomes de frutas aprendeu? Quantos planetas conhece?”

Ritchie espera que a reforma reduza a carga horária e o volume de trabalhos, adotando um “método de ensino mais lúdico e menos formal”, com mais interação entre alunos e docentes. Na sua opinião, é através da brincadeira e da experiência que as crianças se desenvolvem, com estímulos à imaginação e à criatividade. “Acredito firmemente que pela falta dessa componente, muitas vezes na vida profissional são incapazes de ‘think out of the box”. Têm muito medo de arriscar.“ Mesmo assim, este pai acredita que, para haver uma verdadeira reforma, “é preciso que abarque também o ensino primário e o secundário”.

4 de setembro 2015

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