MUSEUS DE MACAU AINDA PERMITEM "PAUS DE SELFIES" - Plataforma Media

MUSEUS DE MACAU AINDA PERMITEM “PAUS DE SELFIES”

A proibição que corre o Mundo ainda não chegou ao território, apesar dos inconvenientes e riscos óbvios que o uso deste acessório implicam.

Amantes dos “paus de selfies” descansem, Macau (ainda) é um paraíso para vocês. À semelhança de algumas coisas proibidas noutras paragens – veja-se o caso da indústria do jogo –, que, aqui, são perfeitamente possíveis, o uso do apetrecho ultimamente tão em voga não tem qualquer limitação nos museus do território. Pelo menos, para já.
O “pau de selfie”, para quem não sabe, é um acessório utilizado em câmaras ou telemóveis para fazer um autorretrato, beneficiando de um ângulo mais amplo. No fundo, trata-se um braço extensível da própria máquina que permite melhorar consideravelmente o resultado final. É um autêntico «ovo de Colombo» para quem visita locais turísticos sozinho ou pretende incluir um grupo completo na fotografia, sem precisar de pedir o favor a alguém.
Tem, contudo, os seus inconvenientes. A questão começou a colocar-se desde que várias instituições, um pouco por todo o Mundo, decidiram limitar ou mesmo impedir o seu uso, alegando tratar-se de algo potencialmente perigoso para os visitantes ou capaz, até, de danificar as obras expostas.

Na China continental, onde as restrições chegaram recentemente, o Museu da Cidade Proibida, um dos mais visitados de Pequim, é, talvez, o exemplo mais concreto desta problemática. Não há um impedimento formal, mas os funcionários estão autorizados a confiscar os paus caso sejam utilizados em zonas mais estreitas.
Também na província de Hubei, mais concretamente na capital, Wuhan, os visitantes têm de registar os aparelhos antes de poderem entrar no Museu de Arte local. Mas há mais. Inglaterra, França, Itália, Holanda, Estados Unidos, Austrália, Brasil e, provavelmente, mais alguns países a cada dia que passa, estão já a tomar medidas neste campo.

Macau: museus com luz verde

Quisemos, então, saber como está a ser encarada a questão pelas autoridades da RAEM. Do Gabinete de Turismo do Governo, que gere os museus do Grande Prémio e o do Vinho, a resposta foi taxativa. Apesar de terem perfeito conhecimento do que se passa no resto do Mundo, em Macau ainda é permitido o uso desta tecnologia.
«Os nossos dois museus não se regem por essas orientações, recentemente adotadas por museus de outros países, que decidiram banir o uso de ’paus de selfies’», respondeu-nos o Departamento de Comunicação e Relações Externas da instituição através de um contato via email.
O Museu Marítimo também permite a entrada dos “paus de selfies”. «Não temos qualquer restrição quanto ao uso desse apetrecho nas nossas instalações. Os visitantes estão autorizados a utilizá-los», disse-nos Criscilla Lei, do “staff” daquele espaço museológico.
Contatámos mais alguns museus, mas nem todos se mostraram disponíveis para abordar o tema.

O compreensível exemplo do futebol e do Carnaval

O Brasil, onde as modas pegam como se acende um rastilho, o caso coloca-se não só ao nível das instituições culturais, mas no seio de uma das atividades mais queridas da população: o futebol. Sucedem-se os estados onde os paus foram incluídos na lista de objetos proibidos nas bancadas, como mastros de bandeiras ou guarda-chuvas.
Os brasileiros utilizam, aliás, um sinónimo para o tal braço extensível que é bem ilustrativo do uso alternativo que lhe pode ser dado no calor das emoções de uma partida de futebol… bastão. Eis, desta forma, um dos possíveis efeitos perversos de algo que foi inventado com propósitos inicialmente tão inofensivos.
De outro ponto do globo, Roma, chega mais um (mau) exemplo do uso do «pau de selfie». Duas turistas americanas acabaram presas depois de terem inscrito as iniciais dos respetivos nomes numa parede do Coliseu. Lá está, o «crime» ficou registado num sorridente autorretrato das duas prevaricadoras. Mas a isto chama-se, simplesmente, vandalismo.
Voltemos ao Brasil e ao futebol. Apesar da popularidade da modalidade no país, não foram os brasileiros os primeiros a vetar o uso do “pau de selfie” nos estádios. Curiosamente, também aqui, prevaleceu a nação que reivindica a invenção deste desporto, nas suas bases modernas: Inglaterra.
O «pontapé de saída» foi dado pelo Tottenham, depois de se aperceber das reclamações de muitos adeptos, furiosos com o facto de perderem campo de visão durante os jogos. Assim, a 8 de Janeiro, o emblema londrino decidiu «fechar» o White Hart Lane a esta inovação dos tempos atuais. Outros clubes do país seguiram de imediato a ideia.
Claro que falar do Brasil e do futebol não podia deixar de abrir uma porta para o Carnaval. Em nome da segurança, o acessório não foi utilizado, por exemplo, em São Paulo, mas também na Bahía ou no Rio de Janeiro. Com a agravante que, neste caso, as próprias escolas de samba têm por hábito incorporar esse apetrecho nos seus desfiles.
Em matéria de espaços culturais no país, destacam-se o Museu de Arte de São Paulo, o Museu de Arte Moderna de São Paulo e o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, entre outros, que limitaram o uso dos «paus de fazer autorretratos».

Entre as 25 melhores invenções de 2014 para a “Time”

A moda está ai e cresce em força. Ao ponto de a própria revista americana “Time” ter já considerado este acessório como umas 25 inovações mais importantes de 2014. Isto apesar de a ideia já ser conhecida há décadas, embora só agora, com o desenvolvimento dos “smartphones” e máquinas fotográficas cada vez mais poderosas, tenha atingido sucesso à escala global.
A consciencialização dos utilizadores está em marcha e há ainda que considerar a vertente económica, porquanto o negócio da venda deste novo apetrecho, como é natural, cresceu em função de uma procura por vezes desenfreada. Aliás, muitas vezes é junto às próprias atrações turísticas que se pode encontrar a maior oferta, lado a lado com todo o tipo de recordações.
Amado por uns, odiado por outros, o «pau de selfie» veio para ficar, mas terá de se adaptar aos vários contextos. Um pouco como aconteceu com outras inovações que, quer pelo seu caráter prático ou pela necessidade de explorar uma área ainda por explorar, tiveram mais tarde de se submeter a uma inevitável disciplina no uso. Afinal, a nossa liberdade termina onde começa a dos outros.

Redação

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