OS “VELHOS” ATEMORIZAM OS “NOVOS” - Plataforma Media

OS “VELHOS” ATEMORIZAM OS “NOVOS”

 

Sinóloga Francesa conversa sobre as dificuldades dos emigrantes chineses.

 

Segunda-feira estive à conversa durante 3 horas com uma especialista francesa em assuntos da China. Os temas de conversa foram abundantes, desde a sua carreira como professora de História Moderna da China no Instituto de Estudos Políticos de Paris até à estratégia política do presidente Xi Jinping. Primeiro gostaria de mencionar o seu nível de chinês, é fenomenal! No entanto, quando a elogiei sobre isso, ela disse muito humildemente que o seu nível era apenas razoável. Em Roma sê romano! Sobre o seu percurso no estudo do chinês, contou que desde a escola secundária se começou a interessar pela China, e quis conhecer melhor este misterioso país. Mais tarde, já na universidade, teve a feliz oportunidade de ser estudante de intercâmbio, e veio para uma escola em Chengdu. Aí passou alguns meses intervalados, e, com o tempo, continuou a melhorar as suas habilidades na língua chinesa.

Esta amiga está longe do estereótipo austero. Talvez por estar fora do ambiente académico, e dentro de um bar, esteja mais relaxada. Na minha presença revela um grande sentido de humor. Assim que nos sentamos, ela diz-me, “Eu sou da Heilongjiang francesa.”

Em seguida, pega num dos seus cartões-de-visita e usa-o para coçar as costas. “A minha terra fica no norte de França, muito perto da Bélgica, apenas a uma hora de carro.” Depois, disse-lhe que nos últimos dias tínhamos voltado a falar nas notícias sobre o seu presidente Hollande e o seu caso amoroso.

Ele tinha sido encontrado com a amante durante um encontro amoroso nos Campos Elísios. Ela interrompe: “A sua amante, Gayet, ela é a minha irmã mais velha.” “O quê? Não pode ser verdade!” Fiquei estupefacto. Ela rapidamente sorri e diz: ”Estou a brincar!” Os estrangeiros são mesmo bem-humorados!

Esta sinóloga ensina História Moderna da China na universidade, desde a revolução cultural até a abertura e reforma da China. Segundo ela, no Instituto de Estudos Políticos de Paris está a surgir uma onda de “febre da China”. Sempre que chega a hora da sua aula, a sala enche-se completamente de gente, e entre os seus alunos incluem-se alguns chineses vindos de contextos muito particulares. Ela explica que antes de escolher a sua cadeira todos os alunos devem dizer a razão da sua escolha, e conta-me um episódio interessante. Um estudante francês, vestindo um traje maoista, levanta-se e com toda a seriedade diz: “Para ser um bom francês, é preciso entender a Ásia.” Porém, ela diz também que sempre que numa aula menciona alguns problemas da China alguns estudantes chineses mostram-se bastante irritados.

Falando da opinião dos franceses sobre a China, ela diz que os franceses não se importam muito com o país. Perguntei-lhe então sobre a situação dos emigrantes chineses em França. Ela explica que existe uma divisão entre os emigrantes recentes e os emigrantes antigos. Os novos imigrantes vêm maioritariamente do nordeste da China, e os mais antigos vêm de Wenzhou. Embora sejam todos chineses, não são poucas as situações em que os velhos imigrantes intimidam os mais novos. Ela esclarece, quando os novos imigrantes vão trabalhar para um restaurante de imigrantes mais velhos, muitas vezes os seus salários não são devidamente pagos e as suas horas de trabalho são prolongadas. Segundo ela, alguns traficantes de seres humanos na China atraem pessoas com falsas promessas, ludibriam-nos pedindo o pagamento de uma comissão e tudo o que se segue é uma realidade que apenas estes pobres imigrantes conhecem bem.

Quando lhe pergunto sobre a recém-terminada APEC, ela comenta que Xi Jinping é muito inteligente, está muito familiarizado com a diplomacia, e sabe bem como proceder num cenário internacional para elevar o estatuto da China.

 

Dang Chaofeng

Instituto de Estudos Políticos de Paris

 

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