IFT AGUARDA NOVA LEI DO ENSINO SUPERIOR PARA LANÇAR ESTUDOS PÓS-GRADUADOS - Plataforma Media

IFT AGUARDA NOVA LEI DO ENSINO SUPERIOR PARA LANÇAR ESTUDOS PÓS-GRADUADOS

 

A introdução de cursos de pós-graduação é um dos projetos em mão do Instituto de Formação Turística de Macau (IFT), de acordo com a presidente do estabelecimento de ensino, Fanny Wong. “Teremos de fazer um pedido ao Governo” após a aprovação da revisão da Lei do Ensino Superior, nota. Em entrevista ao Plataforma Macau, a responsável fala ainda de uma estratégia a dez anos para o IFT, que prevê um aumento de quase 100% do número de alunos a frequentar as licenciaturas do instituto. 

 

PLATAFORMA MACAU – O Governo anunciou uma área de cerca de vinte mil metros quadrados para o IFT no antigo campus da Universidade de Macau. Quais são os planos do instituto para o novo espaço?

FANNY WONG – Penso que é muito encorajador. Se tivermos mais espaço, teremos oportunidade de fazer mais, de oferecer novos programas, aceitar mais estudantes e criar um melhor ambiente de ensino.

 

P.M. – Quando é que o IFT vai ocupar esse espaço?

F.W. – Depende de vários fatores. Neste momento, o edifício ainda está ocupado. Além disso, depende do período que demorarem os trabalhos de renovação. Esse edifício foi concebido para ser utilizado como dormitório e todos os andares acomodam quartos duplos. Teremos de converter o espaço em salas de aulas, gabinetes, centros de formação e de estudo.

 

P.M. – Mencionou a possibilidade de uma maior oferta de cursos. Quais seriam? 

F.W. – Nós oferecemos programas de hotelaria e turismo. Neste momento, temos oito licenciaturas, seis da parte da manhã e duas à noite. Penso que poderíamos aumentar o número de alunos nestes programas porque, por exemplo, todos os anos, o número de candidaturas para os programas noturnos são superiores aos lugares disponíveis. Também poderíamos aumentar a oferta na educação contínua.

Outra ideia que temos presente é a necessidade de melhorar o ambiente de ensino e aprendizagem, porque estas instalações atuais estão lotadas. Digamos que o novo espaço não é um espaço adicional, mas uma área que já deveria ter sido dada aos estudantes e professores, de forma a criar um melhor ambiente de estudo.

P.M. – O novo espaço é suficiente para as necessidades do IFT? 

F.W. – O desenvolvimento de cada instituição faz-se passo a passo, de acordo com a sua velocidade. O espaço é apenas um tipo de recurso necessário para incrementar a educação superior.

Também precisamos de professores qualificados. Para responder à sua pergunta, diria que, à medida que vamos crescendo, vamos vendo como vai evoluindo a situação. Por agora, é suficiente, mas com as mudanças da economia e da indústria da hotelaria e do turismo, teremos de ver quais são os recursos necessários.

 

P.M. – E contratar professores qualificados continua a ser um problema.

F.W. – Sim e não. Estamos sempre a receber candidaturas, mas o que está em causa é se elas têm ou não qualidade. Nós tentamos sempre selecionar pessoal qualificado para o ensino e isso significa que temos de continuar a procurar.

 

P.M. – Fora de Macau?

F.W. – Sim, fora de Macau. O recrutamento está aberto à população de Macau e ao estrangeiro.

 

P.M. – Ainda em relação às novas instalações, o IFT espera no futuro ter um campus integrado, em vez de estar dividido por diferentes zonas da cidade? 

F.W. – Podemos analisar essa questão de diferentes perspetivas. No estrangeiro, é uma prática comum as universidades dividirem as suas unidades de ensino por múltiplos campus. Isso deve-se também ao facto de ser mais oportuno para os estudantes, que em vários países vivem em diferentes áreas e zonas geográficas.

A opção apresenta vantagens e desvantagens. No que diz respeito à gestão, claro que tem de se haver mais trabalho quando se está a lidar com a administração de vários campus. Mas, por outro lado, a população está a crescer na Taipa, especialmente a classe trabalhadora. Penso que o novo campus pode trazer benefícios.

P.M. – Com o desenvolvimento da indústria hoteleira e do jogo, são necessários cada vez mais profissionais para trabalhar nesta área. O IFT consegue dar uma resposta a essas exigências?  

F.W. – Não somos a única instituição de ensino com programas de hotelaria, por isso penso que todos esses estabelecimentos trabalham muito no sentido de oferecer programas para treinar os profissionais que a indústria procura.

Mas, em termos de quantidade, é necessário mais do que programas de formação e educação. Temos de olhar para um pacote de políticas.

Claro que [o número crescente de unidades hoteleiras] reforçou a procura de profissionais. No entanto, não são necessários apenas licenciados, mas espera-se de nós mais formação profissional de curta duração.

Nesse aspeto, estamos a ter uma cooperação bastante positiva. Em termos de números, nós somos uma das principais – senão a principal instituição de ensino – a contribuir para a formação contínua na indústria.

Isto deixa a industria satisfeita, embora nos próximos anos a própria indústria vá ter mais expetativas em relação a nós, porque haverá mais pessoas a trabalhar nessas áreas.

 

P.M. – Tem cerca de 1600 estudantes nos cursos de licenciatura e cerca de 20 mil por ano nos cursos de formação contínua. Com as novas instalações, o IFT prevê um aumento?

F.W. – Num plano a dez anos – e não estou a falar para já – prevemos um desenvolvimento do instituto com cerca de 3000 estudantes. Isso levará alguns anos, não acontece do dia para a noite. Para a formação contínua seguiremos esta tendência de dar resposta às exigências da indústria. Neste momento temos a capacidade de treinar 20 mil ao ano, mas no futuro os números deverão corresponder ao aumento dos estudantes.

P.M. – Que outros projetos tem o IFT?

F.W. –  Esperemos que, após aprovação da Lei do Ensino Superior na Assembleia Legislativa, tenhamos oportunidade de começar a oferecer cursos de pós-graduação. Temos esse plano, mas teremos de fazer um pedido ao Governo e para isso a revisão da lei tem de ir para a frente.

Mas o nosso projeto mais imediato vai incidir na melhoria do ambiente de estudo dos alunos. Não existe muito espaço físico para a interação destes com a faculdade. O novo espaço vai ajudar também ao reforço da nossa relação com a comunidade, sendo que vamos ter oportunidade de organizar mais atividades..

Daqui a dez anos espero que sejamos uma instituição com programas de licenciatura, formação contínua, pós-graduação e tenhamos todas as capacidades para responder ao desenvolvimento da sociedade e da economia.

 

NOVO HORÁRIO FRONTEIRIÇO NÃO DEVERÁ DIMINUIR TEMPO DE ESTADIA DO TURISTA EM MACAU

P.M. – Que impacto poderá ter no turismo o alargamento horário das fronteiras que separam Macau do interior da China? 

F.W. – Penso que vai facilitar a entrada em Macau da população das regiões mais próximas e ao contrário também.

É difícil entender se esta facilitação da ligação fronteiriça poderá diversificar o fluxo turístico porque precisamos de perceber como se vão adaptar uma série de infraestruturas – como por exemplo o metro ligeiro – mas poderá ajudar a dispersar os visitantes e não haverá necessariamente congestionamento em determinados períodos do dia, porque psicologicamente torna-se mais fácil vir a Macau a diferentes horas.

 

P.M. – Este alargamento pode influenciar o tempo de estadia do turista chinês em Macau, que neste momento não ultrapassa um dia e meio e que com os novos horários terá maior facilidade em regressar a casa mais cedo?

F.W. – É difícil fazer uma avaliação porque estamos neste momento a aumentar a oferta dos nossos produtos turísticos. Nos próximos anos, vamos ter novos casinos, resorts integrados, mais atrações, e as pessoas vão continuar a vir e passar a noite, mesmo que tenham a possibilidade de regressar. Por outro lado, talvez tenha razão, porque cruzar a fronteira vai ser mais fácil.

P.M. – E a oferta hoteleira em Zhuhai é mais barata.

F.W. – Não sei se será mais barata. Quando aumenta a oferta de produtos turísticos, os preços podem descer e pode fazer sentido permanecer [em Macau]. Acredito que há muitos fatores a considerar.

E, olhando para o desenvolvimento de Hengqin (Ilha da Montanha), pelo que vejo,  os hoteis que estão a ser construídos nessa área são equipamentos com um nível muito alto, porque também aí os terrenos são um recurso escasso.

Se os preços não se distanciarem nestas duas zonas, poderá não haver grande diferença entre permanecer aqui ou do outro lado.

O perfil do turista também pode ter um impacto na indústria. Que tipo de turista vai então cruzar a fronteira? Temos de considerar que, além da linha do metro que vai ligar Macau e Hengqin, há uma longa rede que se expande por várias cidades do interior da China. Quanto mais longe desta região ela chegar e se estas pessoas tiverem o desejo de cá vir a Macau, então quererão provavelmente ficar mais tempo.

Além disso, a Direção dos Serviços de Turismo está a trabalhar na promoção de Macau nos mercados lá fora. Aqueles que vão fazer voos de longo curso para chegar a Macau, podem também ficar mais tempo no território.

P.M. – Diversificar o tipo de turista pode passar por criar políticas para atrair mais o turista cultural e não apenas o que vem jogar? 

F.W. – O Governo está a tentar atrair turistas com outras características e motivações. Não temos muitos estudos académicos que revelem a percentagem do turista cultural. A verdade é que a própria definição de turista cultural tem de ser discutida, porque às vezes há razões diversas que motivam a vinda a Macau e que não são puramente culturais ou relacionadas com o jogo.

Posso assegurar que um destino com mais atrações terá a oportunidade de oferecer um pacote mais rico e diverso e poderá permitir ao turista estender a estadia ou considerar o regresso a Macau.

Catarina Domingues 

 

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