HOI LONG PODE MARCAR A DIFERENÇA NO TRIATLO - Plataforma Media

HOI LONG PODE MARCAR A DIFERENÇA NO TRIATLO

 

Depois de duas participações nos Jogos Asiáticos, a terceira pode ser de vez. Hoi Long, atleta surda-muda que ocupa a sétima posição do ranking asiático de triatlo, sente-se preparada para chegar ao pódio em Incheon.

 

Estreou-se nos Jogos Asiáticos em Doha, há oito anos, com um 12.º lugar em triatlo (modalidade que combina natação, ciclismo e atletismo) e na edição seguinte da prova, em Cantão, em 2010, quase garantiu uma medalha, mas ficou-se por um quarto lugar. Desde então, Hoi Long tem vindo a treinar sobretudo a velocidade da sua natação e corrida e sente-se em melhor forma para procurar ser uma das três primeiras a cruzar a meta na Coreia do Sul.

“Sinto-me mais em forma do que há quatro anos e sinto-me bem preparada para os desafios que aí vêm”, disse a atleta em declarações ao Plataforma Macau.

Hoi Long, que treina cerca de 20 horas por semana, integra a equipa de Macau de triatlo que vai aos Jogos Asiáticos de Incheon e que é formada por cinco atletas, três homens e duas mulheres. Na prova masculina em Incheon vão participar 24 atletas e na feminina 18. Hoi Long vai competir tanto na prova individual como na de grupo.

“O meu treinador acredita que eu sou a única com hipóteses de lutar por uma medalha de triatlo, mas o meu objetivo é ficar entre os seis primeiros. Uma vez que outros concorrentes também melhoraram muito nestes anos, não quero ficar muito nervosa, por isso, se tiver uma boa oportunidade, vou tentar lutar pelo pódio”, explicou.

A equipa de Macau, acrescentou, parte para a Coreia com o objetivo de terminar a prova individual entre os 15 primeiros e a de grupo no top oito.

Para Hoi Long, os atletas do Japão são os mais fortes em triatlo, seguindo-se os da China, Coreia e do Cazaquistão. “Mas não receio nenhum deles, apenas procurarei dar o meu melhor, isso é para mim suficiente”, disse.

A surdez é para esta atleta um “problema menor” e que até a ajuda a “dormir muito bem à noite”, o que a “faz sentir bem durante o dia”.

Hoi Long não nasceu surda, mas uma neglicência médica tornou o seu mundo silencioso aos cinco meses. A mãe ensinou-a a nunca desistir e, por isso, nunca frequentou escolas de ensino especial.

Aprendeu inglês e mandarim a ler lábios e livros, raramente recorre à linguagem gestual e foi a primeira aluna surda da Universidade de Educação Física de Pequim, onde conseguiu entrar sem revelar inicialmente a sua incapacidade.

Aos cinco anos, começou a praticar natação e ganhou várias competições. Aprendeu depois a andar de bicicleta e aos 16 anos venceu a sua primeira corrida. Um ano depois começou a praticar triatlo, mas só depois de concluir a licenciatura é que se juntou à equipa de Macau e começou a treinar diariamente. Hoje acumula mais de 20 vitórias e concilia os treinos com um trabalho no Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais, tendo ainda concluído um mestrado em 2011.

 

Patrícia Neves

 

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