SECA E ANIMAIS SELVAGENS DESTROEM PLANTAÇÕES EM ANGOLA - Plataforma Media

SECA E ANIMAIS SELVAGENS DESTROEM PLANTAÇÕES EM ANGOLA

 

O estio e animais selvagens estão a comprometer metas na produção agrícola para 2013-14

 

A persistente seca que afeta o sul de Angola já causou um prejuízo de mais de 40 por cento na produção agrícola da campanha 2013-2014 na província do Cuando Cubango. A seca dura há três anos e, segundo o responsável provincial do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA), Domingos Gonga, das 200 toneladas previstas foram colhidos, naquele período, apenas 125,5 toneladas.

O sul e leste de Angola enfrentam desde finais de 2011 uma estiagem, que tem afetado seis das 18 províncias de Angola, em particular Cunene, Namibe, Cuando Cubango, Huíla, Benguela e Cuanza Sul.

Segundo Domingos Gonga, citado pelo Jornal de Angola, a produção do milho é a mais afetada a sul, por necessitar de chuvas para a sua rega. Mas o responsável congratulou-se com o registo de uma boa safra de mandioca e batata-doce, que podem suprir o défice de outros produtos. “Apesar da estiagem, houve um aumento substancial na produção de mandioca, que nos últimos tempos tem sido o nosso principal recurso e vamos aumentar o seu cultivo nos municípios fronteiriços, como o Cuangar, Calai e Dirico, onde a seca é maior”, disse o técnico do IDA.

Para fazer frente à situação, os camponeses têm sido aconselhados pelo IDA a praticar a agricultura de regadio, sobretudo aqueles das regiões ribeirinhas. No entanto, acrescentou Gonga, a maioria dos camponeses ignoraram a orientação e os que acataram os conselhos viram destruídas a sua produção por elefantes e hipopótamos.

 

ELEFANTES DESTROEM CULTURAS

Num recente caso de ataque de animais, relatado pela imprensa angolana, manadas constituídas por 25 elefantes atacaram este mês no município de Golungo Alto, província do Cuanza Norte, a cerca de 200 quilómetros de Luanda. Ali, camponeses queixaram-se de  que nem meios artesanais para afastar os animais, como a queima de pneus, têm travado a devastação, de culturas como banana, milho, feijão ou mandioca, entre outras.

O administrador do município do Golungo Alto, Cirilo Matias Mateus, citado pela agência angolana de notícias Angop, reconheceu a situação como um problema grave e complexo, tendo em conta que esta destruição acontece precisamente na época das colheitas, aguardando-se a intervenção dos ministérios da Agricultura e do Ambiente. Além do apoio direto aos camponeses afetados, localmente reclama-se a criação de uma reserva local para elefantes, tendo em conta que estes ataques já se repetem regularmente há cerca de dois anos.

Ainda este mês, situação semelhante foi relatada na comuna de Canjala, província de Benguela, no centro de Angola, com ataques por manadas de elefantes às culturas a um ritmo praticamente diário. Cada ataque envolve pelo menos três elefantes e alguns camponeses referiram que em poucos minutos chegaram a perder mais de uma tonelada de produção, devorada pelos animais, entre banana, cana e milho.

Além dos receios pela integridade física, face aos ataques crescentes dos últimos dias, os camponeses apelaram às autoridades nacionais para disponibilização de apoio, tendo em conta a destruição das culturas. Este tipo de ataques é recorrente em Angola, nomeadamente quando os animais procuram por alimentação ou água, geralmente nas suas rotas de transumância. Estes casos terminam frequentemente com a morte de camponeses e ataques diretos da população às manadas.

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