CONSUMIDORES CHINESES QUEREM MAIS EXPERIÊNCIAS DE LAZER - Plataforma Media

CONSUMIDORES CHINESES QUEREM MAIS EXPERIÊNCIAS DE LAZER

 

É um mito que os consumidores chineses não valorizem experiências de entretenimento, diz consultor especializado no mercado chinês

 

Os consumidores chineses estão ávidos por novas experiências de lazer e por ter acesso a uma oferta diversificada de produtos de entretenimento, diz John Fang, analista da China Market Research Group, empresa de consultoria e análise de mercados com sede em Xangai. Contudo, é necessário apostar mais na educação do mercado, especialmente no que toca à oferta internacional que existe em Macau, salienta o consultor.

Muitos consumidores da China Continental visitam Macau para desfrutar de um tipo de entretenimento inexistente nos locais onde residem.

“Os chineses já não vão a Macau apenas para jogar nos casinos. Vão também para ver espetáculos, eventos desportivos, para experimentar bons restaurantes. Há toda uma oferta complementar que começar a atrair diferentes tipos de público”, afirma John Fang, em declarações ao Plataforma Macau.

O analista considera um mito a ideia de que os consumidores chineses não valorizam experiências de lazer. John Fang diz que a mentalidade do consumidor chinês já não está tão focada na acumulação de bens materiais, havendo agora um maior interesse em bens intangíveis. E os consumidores chineses estão cada vez mais disponíveis para abrir os cordões à bolsa para ter acesso a isso, diz.

No entanto, alerta, um entrave ao crescimento do mercado, especialmente entre os consumidores da classe média, pode ser a política de preços. Já um consumidor abonado poderá até pagar milhões por uma experiência, mas apenas por algo que seja uma novidade e invulgar – algo que lhe proporcione a perceção de um estilo de vida único, explica.

Num estudo divulgado recentemente, a consultora PricewaterhouseCoopers estima que a despesa do mercado chinês em entretenimento e media vai crescer a uma taxa anual de 10.9 por cento nos próximos cinco anos. A despesa total deverá chegar os 213.6 mil milhões de dólares norte-americanos em 2018, salienta a empresa de consultoria.

 

MERCADO EM EXPANSÃO

O estudo da PricewaterhouseCoopers também estima que a China deverá tornar-se no segundo maior mercado consumidor de entretenmento em 2016, ultrapassando o Japão e apenas atrás dos Estados Unidos.

O mercado chinês de cinema é, desde 2012, o segundo mais rentável em termos de receitas de bilheteira. Em 2012, essas receitas chegaram aos 2.66 mil milhões de dólares norte-americanos.

Mas apesar do enorme potencial do mercado, existem barreiras. Por exemplo, alguns tipos de oferta no setor do entretenimento podem ainda não ser atrativos para o consumidor chinês.

“Os consumidores da China Continental podem ainda precisar de mais tempo e educação para melhor compreenderem espetáculos com elementos internacionais como os de Macau”, diz John Fang. “O elevado preço dos bilhetes para alguns destes espetáculos pode também representar um obstáculo para que se tornem populares.”

Porém, à medida que mais consumidores chineses procurem experiências exclusivas, “o interesse estará mais orientado para o tipo de atividades ou espetáculos que não existem na China Continental”, prevê o analista da China Market Research Group.

O consultor nota que o perfil do cliente está também a mudar. Atualmente, uma parte significativa da procura provém de grupos de amigos, colegas de trabalho ou famílias. Isto em contraste com um passado recente, quando eram sobretudo indivíduos de forma isolada que procuravam este tipo de produtos.

“Apostar numa oferta diversificada de entretenimento, especialmente mais orientada para o segmento familiar e para a classe média – em crescimento na China – é a decisão acertada para manter o crescimento do mercado em Macau”, realça o analista.

A estratégia é também útil para que Macau complemente a sua oferta turística para lá do jogo, sugere John Fang, lembrando que o crescimento das receitas dos casinos provenientes do segmento VIP tem vindo a abrandar, fruto em parte da campanha de combate à corrupção lançada por Xi Jinping desde que assumiu a presidência do país, em março de 2013. Os efeitos de um controlo mais apertado aos dinheiros do Estado têm-se feito sentir em vários setores da economia chinesa, nomeadamente no consumo de artigos de luxo.

 

ESTRATÉGIA CONSENSUAL

O Governo de Macau já salientou que espera um maior investimento por parte das seis operadoras de casinos na cidade em elementos não ligados ao jogo. A autorização para a concessão de novas mesas de jogo terá em conta a quantidade e qualidade dessa oferta complementar, segundo as orientações do Governo.

As empresas parecem estar a cumprir as diretivas. As seis concessionárias de jogo estão a efetuar avultados investimentos no setor do entretenimento e na indústria das convenções e exposições, incluídos nos mega-projetos que têm em construção na zona do Cotai. Parcerias com marcas de alta moda, como a que a SJM Holdings Ltd anunciou com a casa Versace, parques temáticos ou espetáculos residentes são algumas das cartas na manga. Estas vêm-se juntar a produtos já existentes, como o espetáculo “House of Dancing Water” ou a parceria entre a operadora de jogo Sands China Ltd e a produtora de filmes de animação DreamWorks Animation para utilização de alguns personagens em eventos promocionais.

Contudo, alerta John Fang, o mais difícil está ainda por fazer. É necessário promover a oferta e as marcas existentes em Macau no vasto mercado da China Continental, de forma a caminhar para uma consolidação da indústria do entretenimento da cidade.

“Grandes estrelas do mundo da música podem ser uma boa forma de atrair consumidores. Já existe uma base de fãs significativa que se deslocaria a Macau para ver atuar alguns dos maiores nomes da indústria de música chinesa”, refere John Fang.

Diversas empresas internacionais no sector do entretenimento já se aperceberam do papel que Macau pode desempenhar para aumentar a sua exposição junto do público chinês. Macau tem até sido pioneira na República Popular da China na oferta de alguns produtos de entretenimento, nomeadamente no campo do boxe e das artes marciais mistas.

“As grandes noites de combate, especialmente no que toca ao boxe, fazem parte [da oferta ligada] à indústria do jogo. Esse é um mercado que está a crescer e que atrai a Macau um público que procura algo diferente e único, que não existe na China Continental”, salienta John Fang.

A estratégia que está a ser implementada em Macau tem tudo para ter sucesso, diz o analista. Porém, existem desafios, salienta, que vão desde as dificuldades em tentar influenciar as preferências dos consumidores num mercado tão vasto e estratificado como o da China Continental, à necessidade de possuir uma sensibilidade especial no que toca a preços.

T.A.

 

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