Há quatro anos, um estudo do Consórcio Copa, encomendado pelo Ministério do Esporte brasileiro apontava para cerca de de 183,2 mil milhões de reais (82,3 mil milhões de dólares), o ganho da economia brasileira com o Mundial de 2014, por por um prazo de cinco anos, dos quais R$ 47,5 mil milhões diretos, e os restantes R$ 135,7 mil milhões indiretos. Hoje, essas expectativas arrefeceram bastante.
Segundo um estudo divulgado em maio pelo banco alemão Berenberg e pelo Instituto de Economia Mundial (HWWI), de Hamburgo, são muito menores as consequências reais da organização da Copa na economia brasileira e que será a FIFA a verdadeira beneficiária. A confederação mundial de futebol estima que lucrará cerca de 10 mil milhões de reais com a prova.
“Os efeitos económicos positivos da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos são para os países-sede, na maioria das vezes, insignificantes, mas tais megaeventos podem servir de impulso para a modernização dos países”, disse o economista do Banco Berenberg, Jörn Quitzau. O economista Henning Vopel, do HWWI, acrescentiou: “As análises de custo-benefício realizadas antes de um evento como esse geralmente exageram quanto aos efeitos positivos”. Já em março deste ano, a Moody’s tinha alertado para que o impacto da chegada ao Brasil de mais de 3,6 milhões de turistas para o Mundial poderia ser atenuado perante o número de dias trabalhados na indústria e no comércio do País. Ainda de acordo com a agência, o Brasil deve obter um crescimento de meros 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB), por um prazo de dez anos, contados de 2010 a 2019.