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NA ROTA DA PROXIMIDADE

O Governo Central veria com bons olhos a ligação direta entre Macau e Lisboa. Cavaco Silva deixou a batata quente nas mãos de Chui Sai On, mas o mercado dificilmente sustenta voos diretos entre Macau e Lisboa. A hipótese mais viável seria ainda a de convencer uma companhia chinesa a partir de Pequim ou de Xangai, passar por Macau com destino a Lisboa. Contudo, fonte experiente no setor da aviação explica que “a hipótese racional é outra: ir na Air Macau até ao Continente, apanhando aí ligação a Lisboa”.

 

Fonte oficial confirma ao Plataforma Macau que o Governo chinês apoiaria a existência de uma ligação direta entre Macau e Lisboa. A questão nem sequer é exclusivamente simbólica, ou política, uma vez que a “fábrica do mundo” está às portas da Região Administrativa Especial. No contexto da integração regional, poderia até fazer sentido transformar o Aeroporto Internacional de Macau numa plataforma de exportação para a Europa de produtos com origem no Delta do Rio das Pérolas. Já o fluxo potencial de passageiros necessários a uma operação desta envergadura é mais difícil de garantir em Macau. Aliás, nem no tempo da administração portuguesa a Transportadora Aérea Portuguesa foi capaz de manter uma linha que, sendo estratégica, foi altamente deficitária.

O sentido da ligação pende para o Continente, até porque é esse o interesse prioritário de Portugal, apostado não só nas trocas comerciais como também nos fluxos turísticos. Fonte da Presidência portuguesa explica ao PM que, no curto prazo, “as autoridades chinesas estimam que 400 mil novos turistas viajem para a Europa. O que nós queremos é que uma parte deles chegue a Portugal”, sintetiza a mesma fonte. A discussão não é nova, tendo voltado a ser abordada no encontro entre Cavaco Silva e a liderança chinesa. O toque diferente terá sido o da abordagem direta a companhias aéreas do Continente, no sentido de as convencer a apostarem na operação. China Eastern Airlines, HNA Group e JuneYaoGroup ouviram em Xangai os argumentos da delegação portuguesa. E duas delas terão manifestado “interesse”.

 

MACAU ATÉ GOSTAVA

 

Em Macau, o Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, reagiu também positivamente à ideia de incluir a Região nessa rota de interesse sino-lusófono, segundo revelou o próprio Cavaco Silva, na conferência de imprensa que antecedeu o seu regresso a Lisboa. Perante a hipótese de a RAEM se interessar por essa ligação direta a Portugal, a Autoridade da Aviação Civil (AAC) esclarece ao PM que “Macau trabalha ativamente para atrair novos turistas”, acrescentando que “é sempre bem vindo o aumento dos voos, bem como a abertura de novas ligações e a chegada de novas companhias”.

No caso específico da ligação a Lisboa, a companhia de bandeira, a Air Macau, não tem dimensão para competir em rotas de longo curso. Mas também não é esse o problema. A propósito, a AAC lembra os acordos assinados com a China continental e com a União Europeia, “em certos aspetos do setor da aviação”, que “permitem que outras companhias aéreas possam operar entre Lisboa e Macau”. O período de reflexão pode contudo ser longo. “Como sabe, a aviação civil é uma indústria que exige investimentos de grande envergadura, sobretudo no caso dos voos de longa duração. Por isso é difícil imaginar que a linha a que se refere possa abrir no curto prazo”, lê-se ainda na resposta enviada pela AAC às questões colocadas pelo PM.

O Aeroporto de Macau, sendo Internacional, tem na prática uma dimensão regional. Quinzes anos depois da transição de poderes, nunca qualquer companhia levou a sério a hipótese, a partir de Macau, vora diretamente para a Europa. Por outro lado, tendo sido criada em 1989, e apesar das circunstâncias políticas que permitiam explorar a ligação a Taiwan, só em 2012 a Companhia do Aeroporto de Macau apresentou, pela primeira vez, saldo positivo: 14,4 milhões de patacas (1,8 milhões de dólares). Entretanto, a liberalização da indústria do jogo trouxe ventos de mudança e novas ambições: “Gostávamos de enfatizar que Macau é hoje um hub emergente da aviação civil na Ásia”, frisa a AAC.

É nesta altura possível voar de Macau para 37 destinos: 21 na China continental, 3 em Taiwan e 13 na Ásia. Em alternativa ao barco para Hong Kong, e como alguns desses destinos são plataformas giratórias de voos intercontinentais, é através deles que nesta altura é possível ligar Macau à Europa.

Paulo Rego

 

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