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“MELHORES CONDIÇÕES DO QUE OUTRAS COMPANHIAS ESTRANGEIRAS”

 

A Vice-diretora do Conselho de Desenvolvimento de Comércio de Hong Kong acredita que continuam a persistir barreiras à entrada das empresas locais no mercado doméstico chinês. Porém, dez anos após Hong Kong e o Continente terem assinado o CEPA (Acordo de Estreitamento Económico e Comercial), PansyYau acredita que o balanço geral é “muito positivo”.

 

PLATAFORMA MACAU – Que balanço faz destes dez anos de acordo CEPA?

 

PANSY YAU – Muito positivo. Esta é uma política que permite reforçar a integração regional entre Hong Kong e o Continente chinês. Penso que tem sido muito importante porque, ao atuar como um centro de facilitação de serviços, Hong Kong pode ajudar companhias estrangeiras a entrar no mercado chinês. Se os nossos prestadores de serviços não conseguissem alargar as suas funções ao Continente, seria uma desvantagem. Penso que o CEPA foi positivo porque dá às empresas locais um acesso preferencial ao mercado chinês e com melhores condições do que outras companhias estrangeiras.

 

P.M. – Quais são as maiores limitações à entrada das empresas de Hong Kong no Continente?

 

P.Y. – Penso que há uma orientação clara dos vários níveis governamentais no sentido de permitir a este setor dos serviços entrar no Continente. Mas, temos ouvido muitas queixas devido às diferenças institucionais entre Hong Kong e o continente, como no sistema económico ou na forma como os governos operam. Além disso, mesmo com a abertura permitida aos prestadores de serviços de Hong Kong, a sua entrada no mercado doméstico só acontece perante o requerimento de uma série de licenças ao nível local. Com estas diferenças institucionais e barreiras ao negócio, os prestadores de serviços de Hong Kong veem-se na impossibilidade de se integrar no continente. Este é o ponto negativo do CEPA, ainda que a sua essência seja possibilitar a abertura do mercado.

 

P.M. – Falou em diferenças no sistema económico e político. Estamos a falar também de dois sistemas jurídicos diferentes. Isso dificulta o processo?

 

P.Y. – Claro que os sistemas jurídicos são diferentes e é por isso que as companhias estrangeiras preferem assinar os contratos em Hong Kong. Porque sentem mais confiança. Mas se a ideia for investir na China, a primeira coisa que um investidor estrangeiro precisa de ter é uma licença. E isto está relacionado com o sistema económico e a estrutura governativa.

P.M. – Que tipo de companhias se têm posicionado do outro lado da fronteira?

 

P.Y. – Se julgarmos pelo número de certificados aprovados pelo Governo da RAEHK, então penso que quase todos os tipos de companhias de Hong Kong estão do outro lado.Mas o setor que provavelmente tem visto um maior número de aprovações é o setor da logística, o que em certa medida se entende porque se tem registado um aumento das trocas comerciais.

E não estamos apenas a falar de um crescimento das trocas comerciais da China para o mercado internacional, mas de uma abertura do mercado doméstico chinês, possibilitado em parte pelo desenvolvimento atual do comércio eletrónico. Existem muitas oportunidades para o setor logístico no interior da China e isso tem atraído as empresas de Hong Kong. E claro que o CEPA se tornou numa importante plataforma para aceder a esse mercado. Além da logística, sublinho ainda o setor da distribuição e do comércio a retalho e a grosso. O negócio da exportação e importação também é um setor que tem atraído companhias no âmbito do CEPA e isso tem a ver com o tamanho do mercado doméstico e a oportunidade que ele se tornou.

Mas existem ainda outros serviços que estão relacionados com o fato de Hong Kong ser um centro facilitador de serviços. Dou como exemplo o setor dos transportes aéreos, as agências de Recursos Humanos. Estes serviços têm beneficiado do CEPA para ir além fronteiras.

C.D.


 

 

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