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GANHAR ASAS NA PARCERIA

O Presidente português chefiou uma embaixada ambiciosa, levando a Xangai e a Pequim quatro ministros e uma centena de empresários. A importância da plataforma de Macau foi destacada pelas autoridades de ambos os países. O mais forte sinal de que a parceria estratégica pode ganhar asas foi o desejo expresso de voos diretos entre Lisboa e Pequim.

Ao chegar a Xangai, Cavaco Silva manifestou, desde logo, o seu “espanto” pelo desenvolvimento da cidade que visitara, em 1987, enquanto primeiro-ministro. Aí viu, pela primeira, vez os desenhos dos projetos de desenvolvimento da zona de Pudong, uma obra que então, confessa agora, não acreditava poder ser concretizada. Chefiava na década de 1980 o município local JiangZemin, o político que, em 1994, recebeu o mesmo Cavaco Silva, mas no Grande Palácio do Povo e nas funções de Presidente da República e em plena ‘velocidade de cruzeiro’ no desenvolvimento do país.
Agora, em 2014, com um programa vincadamente económico, o chefe de Estado manifesta o desejo de ver Portugal e a China com ligações aéreas diretas que permitam aproximar os dois países e que promovam também maiores trocas comerciais entre Lisboa e Pequim. Mas esse futuro terá de ser pago pela China. Cavaco admite que as ligações aéreas terão de ser suportadas com companhias chinesas, até porque o nome de Portugal tem uma capacidade de atração muito grande. Segundo o Presidente português, um dos empresários chineses com quem se encontrou disse que 450 mil chineses estão interessados em conhecer Portugal.
Por saber ficou a data para o início dos voos diretos, mas esta estratégia de captação de mais turistas asiáticos e o desenvolvimento de novas oportunidades de negócio pode permitir, a curto prazo, a realização de uma ligação aérea entre Lisboa e Pequim ou entre a capital portuguesa e Xangai.
Por outro lado, Cavaco Silva refere a importância de um aumento das trocas comerciais, com mais exportações portuguesas para o imenso mercado chinês. Em Xangai foi-lhe servido “azeite português” e o Presidente espera agora que sejam criados canais que assegurem vinho madeinPortugal para a comunidade emigrante local. No encontro com os portugueses que residem na zona de Xangai prometeu mesmo que estão a ser feitos todos os esforços para ter mais produtos portugueses na capital económica chinesa.
Com a componente económica e comercial delineada para “vender mais à China”, Cavaco Silva não esqueceu que essa tarefa também depende, ou pode ser impulsionada, pela comunidade portuguesa residente, calculada em cerca de 500 pessoas, a quem o Presidente da República fez um apelo direto na terça-feira: “Promovam Portugal e os produtos portugueses”.
No plano político, Cavaco Silva tem manifestado alguma satisfação pelos dados macroeconómicos de Portugal num momento em que o país está prestes a sair do programa de assistência financeira. “Os indicadores disponíveis são promissores de alguma forma, o que significa que há uma nova esperança a nascer em Portugal”, afirmou Cavaco Silva.

ABERTURA CHINESA

Huang Songfu é o embaixador da China em Portugal. Fluente na língua portuguesa, conhece Macau onde foi vice-comissário do Ministério dos Negócios Estrangeiros,  e promete “total abertura” da China e das suas empresas para investir em Portugal e “promover ainda mais a cooperação bilateral entre a China e Portugal”.
O diplomata, que desde o início da visita acompanha o chefe de Estado português, considera também que a deslocação de Cavaco Silva à China vai potenciar essas mesmas relações, até porque Portugal “abriu a porta” e as empresas chinesas estão atentas ao mercado.
Salientando que o encontro entre a comitiva política liderada por Cavaco Silva e vários empresários chineses de ramos tão distintos como a aviação, hotelaria ou distribuição alimentar, o embaixador Huang Songfu disse que, após a apresentação de várias oportunidades por parte de Cavaco Silva, muitos empresários chineses “manifestaram todo o interesse e toda a vontade forte para promover a cooperação”.
Até para as ligações aéreas diretas, uma grande “preocupação” de Cavaco Silva, o Presidente português teve resposta: “três empresas (presentes na reunião) manifestaram toda a vontade para estudar a possibilidade de estudo do voo direto entre a China e Portugal”, disse o embaixador.
No segredo dos deuses continuam, no entanto, eventuais futuras apostas da China em Portugal, em empresas a privatizar pelo Estado. “Portugal ofereceu uma boa oportunidade de cooperação no sentido de privatização futura de empresas portuguesas”, uma realidade que as empresas chinesas já conhecem e para a qual estão, pelo menos, disponíveis para “avaliar”.

A IMPORTÂNCIA DE MACAU

As trocas comerciais são feitas diretamente pelas empresas, mas Portugal e a China reconhecem a importância estratégica de Macau nas ligações entre os dois países e na promoção da cooperação entre a China e os Países de Língua Portuguesa.
Depois do ministro da Economia, António Pires de Lima, ter sublinhado a importância do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa foi a vez de Huang Songfu destacar o papel de plataforma que Pequim destinou à sua Região Administrativa Especial.
O Fórum Macau é um instrumento “muito importante” para fixar Portugal “como parceiro preferencial da China”, disse António Pires de Lima ao destacar também os instrumentos da estrutura como o fundo de mil milhões de dólares disponibilizados pelo então primeiro-ministro chinês Wen Jiabao em 2010, durante a terceira conferência ministerial. “São muito importantes para estabelecer Portugal como um parceiro preferencial da China para investimentos na área da Lusofonia. Há o fundo que, se for bem orientado, pode permitir grandes investimentos chineses não só em Portugal, mas em outros países que falam português”, disse o ministro.
Já o embaixador chinês em Portugal vinca o papel de promotor da aproximação cultural entre os povos da China e de Portugal. “É uma plataforma muito importante.
Macau promoveu um conhecimento mútuo no sentido cultural durante todos estes anos. Acho que o conhecimento mútuo cultural é uma base fundamental para toda a outra cooperação. Sem conhecimento mútuo cultural entre dois povos, não haveria cooperação nas várias áreas”, considerou, acrescentando que Macau pode também “participar diretamente na cooperação bilateral”.

DESAFIO DA LÍNGUA
PORTUGUESA

A partir do primeiro trimestre de 2015, o ensino da língua e cultura portuguesas a estudantes chineses tem uma nova plataforma de ensino à distância, numa aposta de nove instituições portuguesas que querem colocar-se na dianteira da formação num país que olha cada vez mais para o espaço lusófono como uma oportunidade económica e empresarial. Fundação Calouste Gulbenkian, Instituto Camões, Instituto Politécnico de Leiria, Universidade de Aveiro, Universidade de Lisboa, Universidade do Minho, Universidade de Coimbra, Universidade do Porto e Universidade Nova de Lisboa partilham conhecimentos e experiências no ensino da língua e querem abrir o leque da aprendizagem de uma língua, que Cavaco Silva considera que tem de ser “valorizada, também ela, enquanto vantagem competitiva”.
“Assim se compreende, por exemplo, o interesse que a aprendizagem do português suscita na China, dado o elevadíssimo nível de empregabilidade que o conhecimento da língua portuguesa aqui (na China) garante”, salienta o chefe de Estado.
Para Cavaco Silva, as universidades, “cada vez mais, têm-se revelado agentes privilegiados na projeção internacional da língua e da cultura portuguesas” e, “neste contexto, cabe naturalmente realçar a importância da cooperação entre as academias portuguesas e chinesas, nas diversas áreas do saber”.

José Costa Santos
Exclusivo Lusa/Plataforma Macau

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Meio de comunicação social generalista, com foco na relação entre os Países de Língua Portuguesa e a China

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