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Conflito entre EUA e Irão fecha Estreito de Ormuz. Corredor energético mundial torna-se centro da escalada militar

Os Estados Unidos voltaram a atacar o Irão e restabeleceram um bloqueio naval enquanto Teerão ameaça manter fechado o Estreito de Ormuz. A disputa pelo corredor petrolífero aumenta a pressão sobre navios comerciais, mercados de energia e aliados regionais

AFP

As forças norte-americanas atacaram o Irão e restabeleceram um bloqueio naval aos seus portos, enquanto Teerão atingiu aliados de Washington no Golfo na quarta-feira (15), prometendo que o Estreito de Ormuz permaneceria fechado “até os Estados Unidos porem fim à sua agressão”.

Os ataques ocorreram poucas horas depois do Presidente norte-americano Donald Trump ter recuado na proposta de aplicar uma taxa de 20% aos navios que utilizassem o estreito, que está no centro de uma escalada num conflito que abalou o Médio Oriente e fez subir os preços globais da energia.

Teerão insiste que controla o corredor marítimo estratégico para o transporte de petróleo, que permanecia aberto à livre navegação antes dos ataques dos Estados Unidos e de Israel no final de fevereiro terem desencadeado o conflito.

A Guarda Revolucionária do Irão afirmou que o novo bloqueio norte-americano interrompeu as exportações de petróleo e gás para o mundo, incluindo para “rivais económicos da América”, e advertiu que as rotas utilizadas pelos Estados Unidos e pelos seus aliados também poderão ser encerradas.

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“As exportações de petróleo e gás da região estarão disponíveis para todos ou para ninguém”, afirmou a Guarda Revolucionária, sem fornecer mais detalhes.

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, afirmou que a decisão dos Estados Unidos de restabelecer o bloqueio “desmantelou, de certa forma, o memorando de Islamabad”, referindo-se ao acordo provisório alcançado no mês passado para interromper as hostilidades e avançar com negociações de paz.

Numa escalada que entrou no quinto dia, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) afirmou ter atingido dezenas de alvos militares iranianos junto ao estreito e noutros pontos da costa do país, com o objectivo de “reduzir a capacidade do Irão de ameaçar a navegação comercial e as tripulações civis”.

Os meios de comunicação estatais iranianos noticiaram explosões junto à cidade portuária de Bandar Abbas, na ilha de Qeshm e em Bandar Imam Khomeini. Pouco depois dos ataques, foram accionados alertas de ataque aéreo no Bahrein, enquanto o Kuwait e a Jordânia anunciaram ter interceptado drones e mísseis lançados a partir do Irão.

Esta captura de ecrã, feita a 15 de julho de 2026 a partir de um vídeo divulgado pelo Comando Central dos EUA a 13 de julho de 2026, mostra o que as forças armadas dos EUA afirmam serem mísseis a serem lançados para atingir alvos militares em todo o Irão. (Foto: AFP / Assuntos Públicos do Comando Central dos EUA)

A agência estatal IRNA noticiou que as forças iranianas lançaram um ataque com drones contra uma base militar na Jordânia que acolhe aviões de guerra norte-americanos, enquanto a Guarda Revolucionária atingiu instalações dos Estados Unidos no Bahrein e no Kuwait.

Trump ameaçou alargar os ataques na próxima semana, atingindo centrais eléctricas e pontes caso Teerão não regresse à mesa das negociações. “Na próxima semana vai ficar realmente mau para eles”, afirmou numa entrevista à Fox News.

Trump abandona taxa

Desde o início da guerra, o Irão tem afirmado controlar o Estreito de Ormuz e tem aberto fogo contra navios que utilizavam rotas que considera não autorizadas.

Os ataques iranianos contra embarcações no estreito desencadearam retaliações dos Estados Unidos, e a violência de parte a parte fez subir os preços do petróleo bruto em mais de 10% desde a semana passada. “As operações de retaliação dos combatentes continuarão, e o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que os Estados Unidos terminem os seus atos de agressão”, afirmou a Guarda Revolucionária numa declaração divulgada na quarta-feira.

O almirante Brad Cooper, comandante do CENTCOM, afirmou na terça-feira que, na última semana, “o Irão atacou deliberadamente civis em toda a região ao atingir sete navios comerciais, provocando a morte, desaparecimento ou ferimentos de quase uma dúzia de membros de tripulações civis”. “As forças dos Estados Unidos responsabilizam o Irão por uma agressão injustificada que continua a colocar vidas inocentes em perigo”, acrescentou.

Um petroleiro norueguês foi atingido por uma explosão provocada por um dispositivo não identificado ao largo da costa de Omã na madrugada de terça-feira, segundo a empresa de resposta a crises MTI Network.

O Kuwait afirmou que um dos seus navios militares foi atingido durante uma barragem iraniana de mísseis e drones, provocando ferimentos em quatro tripulantes.

Entretanto, Trump afirmou que iria abandonar a taxa prevista para os navios que atravessassem o Estreito de Ormuz, anunciada na segunda-feira, substituindo-a por acordos comerciais com os aliados do Golfo. “Decidi substituir a Taxa de Reembolso dos Estados Unidos de 20% por acordos comerciais e de investimento que os vários Estados do Golfo irão realizar nos Estados Unidos”, escreveu Trump numa publicação na sua rede social Truth Social.

Desde a semana passada, os novos ataques norte-americanos provocaram pelo menos 28 mortos no Irão, segundo uma contagem da AFP baseada em meios de comunicação iranianos e comunicados oficiais.

O primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, um forte opositor das alegadas ambições nucleares do Irão, advertiu na terça-feira os líderes iranianos de que Israel responderia com um golpe pesado caso lançassem um ataque contra o país.

Falando a partir de Dimona, uma cidade no sul de Israel onde se acredita amplamente que está localizado o arsenal nuclear não declarado do país, Netanyahu afirmou: “Não contem que tudo permanecerá calmo se nos atacarem”. “Acabaram-se os dias em que alguém nos atacava e nós não respondíamos com um golpe decisivo.”

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