Os trabalhadores estão empregados em setores como hotelaria, restauração, construção, comércio, serviços financeiros, saúde e jogos online, áreas que enfrentariam dificuldades em recrutar mão de obra suficiente apenas entre os cerca de 39 mil habitantes de Gibraltar.
Durante anos, a rotina destes trabalhadores ficou marcada pelas longas filas e pelos controlos fronteiriços, sobretudo após o Brexit, quando aumentou a incerteza sobre as regras de circulação. A demora na travessia podia prolongar-se durante horas nos períodos de maior afluência, afetando o quotidiano de quem cruza a fronteira duas vezes por dia.
O novo acordo entre o Reino Unido, Espanha e a União Europeia deverá eliminar os controlos terrestres, permitindo uma circulação mais rápida entre Gibraltar e Espanha. A mudança é vista como um alívio para milhares de trabalhadores transfronteiriços e para as empresas gibraltinas que dependem da mão de obra espanhola.
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Apesar dos salários geralmente mais elevados em Gibraltar, muitos destes trabalhadores continuam a viver em Espanha, onde o custo da habitação é inferior. Esta realidade criou uma forte interdependência económica entre Gibraltar e os municípios vizinhos, cuja atividade comercial depende em grande medida do rendimento gerado no território britânico.
Para muitos residentes da região, atravessar a fronteira deixou há muito de ser uma viagem internacional e tornou-se apenas mais um passo na rotina diária de trabalho. O novo enquadramento pós-Brexit pretende consolidar essa realidade e reduzir uma das principais fontes de incerteza para milhares de famílias dos dois lados da fronteira.