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Eliminações no Mundial aceleram mudanças no comando técnico. Projetos de longo prazo não resistem aos resultados

O Campeonato do Mundo já provocou uma série de demissões e despedimentos entre selecionadores, apesar de a competição ainda não ter terminado. As saídas expõem a dificuldade de conciliar projetos construídos ao longo de vários anos com a pressão exercida por um único torneio

Xinhua

Para os jogadores, uma derrota num Campeonato do Mundo representa, muitas vezes, o fim de um sonho. Para os treinadores, pode significar o fim do cargo.

Apesar de a competição ainda estar a decorrer, vários selecionadores já se demitiram ou foram afastados depois de falharem os objetivos traçados, evidenciando a exigência extrema do maior palco do futebol mundial.

O neerlandês Ronald Koeman, selecionador dos Países Baixos, o argentino Sebastián Beccacece, do Equador, Marcelo Bielsa, do Uruguai, e Hong Myung-bo, da Coreia do Sul, são os mais recentes a abandonar os respetivos cargos, juntando-se ao escocês Steve Clarke, ao checo Miroslav Koubek e ao tunisino Sabri Lamouchi.

As circunstâncias variaram de caso para caso. Alguns chegaram ao torneio sob forte pressão, enquanto outros tinham sido amplamente elogiados pelo desempenho nas fases de qualificação, méritos que acabaram rapidamente esquecidos após a eliminação.

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Marcelo Bielsa assumiu total responsabilidade pela campanha do Uruguai, bicampeão mundial, que foi eliminado na fase de grupos sem conseguir qualquer vitória. “Esta despedida é muito dolorosa pelas expectativas que tinha quando aceitei este projeto, mas não consigo justificar a posição em que terminámos”, afirmou o treinador argentino.

Também Sebastián Beccacece adotou um discurso semelhante após a eliminação do Equador nos 16 avos de final, frente ao coanfitrião México. “O meu contrato termina com o fim do Campeonato do Mundo e, como não cumprimos aquilo a que nos propusemos, o melhor é dar um passo atrás”, declarou.

O treinador, de 45 anos, conduziu o Equador ao segundo lugar da fase sul-americana de qualificação e a uma série de 19 jogos consecutivos sem derrotas antes do início do Mundial.

Hong Myung-bo também assumiu a responsabilidade pela eliminação precoce da Coreia do Sul, afastada ainda na fase de grupos. “Não consegui alcançar os resultados que o público esperava. A responsabilidade é inteiramente minha”, afirmou o antigo defesa.

A saída de Ronald Koeman ocorreu depois da derrota dos Países Baixos frente a Marrocos no desempate por grandes penalidades, que ditou a eliminação mais precoce da seleção neerlandesa em Campeonatos do Mundo.

Steve Clarke apresentou igualmente a demissão, apesar de ter renovado contrato por mais quatro anos apenas um mês antes do torneio. Durante os sete anos em que orientou a Escócia, conduziu a seleção à sua primeira participação num Campeonato do Mundo desde 1998 e garantiu por duas vezes a qualificação para o Campeonato da Europa.

Também Miroslav Koubek deixou o comando técnico da República Checa depois de a equipa terminar no último lugar do grupo, assumindo a responsabilidade pelos maus resultados.

Sabri Lamouchi foi, contudo, o primeiro treinador a perder o cargo durante a competição. A Tunísia despediu o técnico francês após a derrota por 5-1 frente à Suécia, no jogo de estreia, tornando-o num dos poucos selecionadores afastados ainda durante um Campeonato do Mundo.

Entre os precedentes contam-se Henryk Kasperczak, igualmente ao serviço da Tunísia, e Cha Bum-kun, da Coreia do Sul, ambos afastados durante o Mundial de 1998. Em 2018, a Espanha também despediu Julen Lopetegui apenas dois dias antes do arranque da competição.

Apesar do prestígio associado ao comando técnico de uma seleção num Campeonato do Mundo, a margem para o erro continua a ser reduzida. Um torneio que dura menos de seis semanas pode determinar o destino de um treinador cujo projeto demorou anos a construir.

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