O encontro com Trump ocorre após semanas de desgaste na pré-campanha de Flávio Bolsonaro e quedas nas sondagens de intenções de voto provocadas pela revelação da proximidade do senador com o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro e o Banco Master.
A imprensa brasileira avalia o encontro entre Flávio e Trump como uma tentativa do bolsonarista de tentar recuperar fôlego político e popularidade na sua corrida para as eleições de outubro no Brasil. “A primeira coisa que ele (Trump) fez foi perguntar sobre meu pai. Perguntou sobre as condições da prisão, sobre como ele está, sobre como a família tem lidado com tudo isso”, declarou em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Foi um gesto humano”, completou durante pronunciamento à imprensa ao dizer que o encontro na terça-feira durou cerca de 1 hora e meia.
O político brasileiro publicou uma foto no Salão Oval em que ele aparece em pé ao lado de Donald Trump sentando na cadeira presidencial, cuja legenda são dois emojis de polegar para cima.
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Simpático ao trumpismo, o senador bolsonarista disse ainda que foi convidado pela Casa Branca a estar em Washington e é a primeira vez que um pré-candidato brasileiro aparece numa foto no Salão Oval da Casa Branca durante corrida eleitoral. Flávio disse ainda que os dois trataram das terras raras, segurança pública e relações comerciais.
Ao ler um pronunciamento aos jornalistas, o senador criticou o Presidente brasileiro, Lula da Silva, sem apresentar provas, de ser lobista de criminosos, a exemplo do Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
“Enquanto o Lula veio à Casa Branca fazer lobby para traficante, eu vim fazer exatamente o oposto: pedi enfaticamente ao presidente Trump que designe o quanto antes o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras”, declarou.
No encontro há três semanas com Trump, Lula defendeu a cooperação internacional para enfrentar o crime organizado, sem que haja interferência da soberania nacional, como, por exemplo, decretar fações criminosas como terroristas.

Flávio Bolsonaro em pé ao lado de Donald Trump na Sala Oval, com a legenda “👍👍” (Foto: Instagram/Flávio Bolsonario).
“Enquanto Lula veio de joelhos, rastejando, para implorar ao presidente americano Trump que não declare organizações criminosas, como o PCC e o CV, como terroristas, eu faço o contrário”, afirmou Flávio. “Disse ao presidente Trump que, a partir de janeiro de 2027, o Brasil vai integrar o escudo das Américas, formando uma grande aliança hemisférica contra o crime organizado transnacional e o terrorismo”, declarou.
O senador reiterou o seu alinhamento a Washington ao defender que o Brasil é “única alternativa real à China” na exploração das terras raras, uma vez que o país da América do Sul tem a segunda maior reserva do mundo.
O pré-candidato a Presidente do Brasil disse ter sinalizado a Trump também que, caso vença Lula nas urnas, pretende reconstruir a relação bilateral com acordos comerciais vantajosos para os dois países, para evitar novas sobretaxas contra empresas brasileiras.
“Sobre o tema das tarifas, deixei claro ao presidente que sob o meu governo não haverá necessidade de retaliação comercial contra o Brasil”, leu Flávio Bolsonaro trecho da carta do seu pronunciamento aos jornalistas.
Ainda na conferência de imprensa, ele negou que a sua campanha esteja a atravessar uma crise ao ser questionado sobre o impacto político da relação com Daniel Vorcaro. “Crise de quê? Campanha tem altos e baixos. Tenho segurança de que sou a única alternativa contra um governo horrível, que gasta de forma desenfreada. Não tem nenhuma crise na minha campanha”, declarou. .
O portal The Intercept Brasil mostrou que o dono do Banco Master ajudou a financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro.
Áudios de Flávio Bolsonaro mostram que ele pediu e cobrou Vorcaro pelo pagamento das parcelas, e o banqueiro chegou a pagar 64 milhões de reais (10,9 milhões de euros). Atualmente, Daniel Vorcaro segue preso em Brasília acusado de cometer fraudes contra o sistema financeiro e por crimes de corrupção.
Já o Master foi liquidado pelo Banco Central do Brasil em novembro passado por “grave crise de liquidez” e por emitir títulos a credores sem valor real numa fraude que gerou prejuízos a fundos de previdência de estados e cidades.
A revelação das conversas entre Flávio e o banqueiro tem gerado uma crise na pré-campanha do bolsonarista e dentro do seu partido, o PL (Partido Liberal), uma vez que os seus correligionários disseram nas últimas semanas não sabiam da proximidade entre os dois.
Flávio, inclusive, defendia que o Congresso Nacional brasileiro instaurasse uma investigação sobre as fraudes cometidas pelo Banco Master.
Na semana passada, ele trocou o seu marqueteiro de campanha, fez reunião com parlamentares do PL para explicar o seu envolvimento com Vorcaro e declarou que em 30 dias prestaria contas sobre os gastos do filme.
As datas das mensagens mostram que à época, já era público que o ex-banqueiro era investigado por crimes financeiros, tendo usado, por exemplo, recursos de fundos de previdências aplicados no banco, para subornar agentes políticos e comprar influência em Brasília.
Flávio chegou a Washington na segunda-feira após seu irmão, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, que atualmente reside nos EUA, articular o encontro na Casa Branca.