A China registou uma descida significativa na incidência e nas taxas de mortalidade de vários cancros comuns, com a taxa global de sobrevivência a cinco anos dos doentes oncológicos a aumentar de forma constante, segundo dados divulgados pelo Centro Nacional do Cancro.
A incidência e a mortalidade do cancro do esófago na China diminuíram cerca de 4.5% ao ano, de acordo com os dados anunciados na sexta-feira durante uma campanha nacional de sensibilização para a prevenção e controlo do cancro, que decorre entre 15 e 21 de abril.
As taxas de mortalidade por cancro do pulmão e cancro nasofaríngeo (atrás do nariz) também registaram uma redução média anual de cerca de 2%, indicam os dados mais recentes.
“A China tem alcançado progressos consistentes na prevenção e controlo do cancro, trazendo mais confiança e esperança aos doentes e às suas famílias”, afirmou He Jie, responsável pelo Centro Nacional do Cancro, sublinhando que a taxa de incidência no país se situa na média global (que em 2022, ajustada por idade, era de cerca de 196,9 por 100.000 pessoas).
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Estes resultados positivos surgem após a implementação de um conjunto de medidas destinadas a reforçar a linha de defesa contra o cancro nos últimos anos, orientadas pelo princípio da prevenção em primeiro lugar. Estudos indicam que mais de 40% dos cancros podem ser eficazmente prevenidos através de medidas de prevenção primária, como a adopção de estilos de vida saudáveis e a redução da exposição a agentes cancerígenos.
Em 2023, as autoridades chinesas emitiram orientações para o desenvolvimento de alta qualidade na prevenção e controlo do cancro, destacando a necessidade de aumentar a literacia em saúde e reduzir fatores de risco. O documento estabeleceu como meta atingir mais de 80% de taxa de conhecimento sobre prevenção do cancro até 2030.
Uma das iniciativas mais recentes para alcançar esse objetivo é um conjunto de recomendações para um estilo de vida saudável, divulgado pela Comissão Nacional de Saúde, composto por 15 conselhos simples e práticos, apelidado pelos internautas de “manual nacional de prevenção do cancro”.
Para além das orientações sobre estilos de vida, o país tem investido na criação de uma rede multinível de prevenção e controlo do cancro e no alargamento do acesso ao rastreio precoce, com os registos oncológicos a abrangerem atualmente 98.6% dos condados e distritos.

Trabalhadores na China fabricando componentes da instalação de terapia com iões pesados (forma avançada de radioterapia que utiliza partículas pesadas para destruir células cancerígenas) (Fotografia: Xinhua).
Entretanto, a cobertura de rastreio do cancro do colo do útero e da mama entre as mulheres atingiu 98% ao nível dos condados e distritos, e a taxa de diagnóstico precoce dos principais cancros em áreas prioritárias ultrapassou os 55%.
Uma maior cobertura de rastreio precoce permite tratamento atempado, o que “oferece um caminho eficaz para a sobrevivência a longo prazo dos doentes com tumores malignos”, afirmou o diretor do Departamento de Cirurgia Torácica do Hospital de Shenzhen da Universidade de Pequim, Liu Jixian, acrescentando que a maioria dos doentes em fase inicial pode alcançar cura clínica com abordagens terapêuticas diversificadas e abrangentes.
Os avanços nas tecnologias de diagnóstico e tratamento também têm contribuído para a luta contra o cancro no país. Por exemplo, um medicamento CAR-T, desenvolvido por uma empresa farmacêutica chinesa, poderá representar um avanço no tratamento do cancro gástrico avançado.
“A China tem uma elevada incidência de cancro gástrico, e existem poucas opções terapêuticas após o fracasso das segundas linhas de tratamento”, afirmou o vice-diretor do Hospital e Instituto de Cancro de Liaoning, Zhang Jingdong. “Este medicamento representa um avanço ao nível do seu alvo terapêutico.”
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Este fármaco desenvolvido localmente reflete a crescente capacidade de inovação da indústria farmacêutica chinesa. Atualmente, a China representa cerca de um terço dos medicamentos inovadores em desenvolvimento a nível mundial. Em 2025, o valor total de acordos de licenciamento internacional de medicamentos inovadores chineses ultrapassou os 130 mil milhões de dólares.
O desenvolvimento de medicamentos inovadores na China continua a acelerar. Até ao momento, em 2026, foram aprovados 14 novos medicamentos inovadores, muitos dos quais destinados ao tratamento do cancro, segundo dados da Administração Nacional de Produtos Médicos. Para além dos novos medicamentos, a inteligência artificial tem desempenhado um papel crescente nos esforços para detectar precocemente o cancro.
O sistema de inteligência artificial DAMO PANDA, desenvolvido pela academia DAMO da Alibaba, tem apresentado resultados promissores na detecção precoce do cancro do pâncreas, um dos mais letais. A tecnologia já está a ser utilizada não só em hospitais urbanos, mas também em algumas zonas remotas.
Liu Wen, responsável da Comissão Nacional de Saúde, garantiu um maior apoio à investigação científica em áreas-chave da prevenção e controlo do cancro, com o objetivo de acelerar o desenvolvimento de tecnologias e medicamentos. O responsável acrescentou que as tecnologias digitais e inteligentes deverão ser ainda mais aplicadas para reduzir desigualdades regionais e garantir cuidados oncológicos mais padronizados e equitativos em todo o país.