Num relatório publicado na terça-feira, o FMI assinalou que a melhoria das perspetivas para Macau surge num contexto em que adota uma postura mais cautelosa a nível global, cortando a previsão de crescimento mundial para 2026 para 3,1%, devido a receios de que o conflito no Irão possa perturbar os mercados energéticos e pressionar os preços.
O fundo alertou que os riscos geopolíticos crescentes tornam as projeções mais incertas, com potenciais repercussões de preços mais elevados do petróleo e das matérias-primas.
A projeção atualizada aponta para uma recuperação estável da economia do território, com os preços ao consumidor a aumentarem 1,8%, sugerindo um ambiente de inflação relativamente moderado.
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Segundo o relatório, o Produto Interno Bruto (PIN) nominal de Macau deverá atingir 54,23 mil milhões de dólares (49,89 mil milhões de euros) em 2026, enquanto o PIB per capita deverá situar-se em 76.450 dólares (70.334 euros).
Em termos de paridade do poder de compra, o PIB per capita é projetado em 140.420 dólares (129.186 euros).
Analistas do FMI alertaram também que o território continua vulnerável a oscilações na procura global e nas condições financeiras.
Fatores externos, em particular os preços da energia e as tensões geopolíticas, destaca a organização, poderão continuar a influenciar o ritmo da recuperação.
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A organização sublinhou que a economia chinesa também tem mostrado sinais de resiliência, embora de forma desigual.
No final de 2025, o crescimento sequencial da China acelerou para 6,1%, impulsionado sobretudo pelas exportações, que compensaram a fraqueza da procura interna, em particular no setor imobiliário, destacou a organização.
Esta divergência entre o dinamismo externo e a fragilidade doméstica continua a ser um dos principais desafios estruturais para o país.
O relatório destaca que a China beneficiou da forte procura global por semicondutores e equipamentos relacionados com inteligência artificial, tornando-se um dos principais motores da expansão tecnológica na Ásia.
As exportações chinesas foram reorientadas dos Estados Unidos para outras economias asiáticas e, temporariamente, para a Europa, o que permitiu ao país alcançar um excedente comercial recorde de 1,2 mil milhões de dólares (cerca de mil milhões de euros) em 2025, equivalente a 6% do PIB.
Esta reorientação reflete a corrida das empresas para garantir bens tecnológicos e diversificar cadeias de abastecimento num contexto de incerteza geopolítica.
“A expansão vigorosa das exportações de tecnologia compensou a desaceleração das exportações noutras categorias de produtos”, refere-se no relatório, sublinhando como as economias asiáticas beneficiaram da procura crescente de semicondutores e equipamentos relacionados com inteligência artificial.