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Falha técnica em equipamento crítico marca missão lunar da NASA

Uma falha inesperada no sistema de gestão de resíduos da nave Orion está a marcar o regresso da missão Artemis II à Terra, obrigando a NASA a recorrer a soluções alternativas e levantando questões sobre a fiabilidade dos sistemas em futuras missões

AFP

Após uma viagem bem-sucedida em torno da Lua, tudo tem corrido sem sobressaltos no regresso da nave Orion à Terra – exceto a sanita de 23 milhões de dólares (cerca de 19,7 milhões de euros), que ficou entupida.

O sistema concebido para expelir águas residuais para o espaço está a falhar, e a NASA acredita que uma reação química no sistema de tratamento de urina está na origem do problema. O sistema de eliminação de resíduos sólidos, num circuito separado, está a funcionar corretamente. A astronauta Christina Koch disse que o chamado Sistema Universal de Gestão de Resíduos emitia um “cheiro a aquecedor a arder”.

Rick Henfling, diretor de voo da missão Artemis II, sublinhou na terça-feira que “a sanita continua operacional. O desafio que estamos a enfrentar é esvaziar o tanque de águas residuais”, afirmou. “Por isso, estamos a recorrer a meios alternativos.”

No plano B, os quatro astronautas estão a usar recipientes pessoais reutilizáveis, denominados “dispositivos colapsáveis de contingência para eliminação de urina”.

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O problema com a sanita foi reportado poucas horas após o lançamento a partir de Cabo Canaveral, na Florida. Koch ajustou os controlos do sistema e reiniciou-o com a ajuda do controlo da missão, o que pareceu resolver a falha.

“Tenho orgulho em dizer que sou uma canalizadora espacial”, afirmou Koch na sua primeira conferência a partir da nave, que deverá amarar no Oceano Pacífico na sexta-feira. Descreveu a sanita como “provavelmente o equipamento mais importante a bordo”. No entanto, o problema persistiu. Os astronautas não conseguem expelir as águas residuais para o espaço.

A questão tem sido tema recorrente nas conferências de imprensa realizadas no Centro Espacial Johnson, em Houston, Texas. É o mesmo centro que, em 1970, recebeu a mensagem do astronauta Jack Swigert: “Houston, tivemos um problema”, após a explosão de um tanque de oxigénio que abortou a missão lunar da Apollo 13, desencadeando uma emergência dramática que acabou por trazer os três astronautas de volta à Terra em segurança.

A NASA pensou inicialmente que o problema da sanita poderia dever-se à congelação nos filtros, mas Henfling afirmou que não se trata de gelo. A nave foi orientada para o Sol para “derreter qualquer gelo” e os aquecedores foram ativados, “e continuamos a observar um bloqueio”, explicou.

“A teoria mais recente está relacionada com alguns dos químicos usados para evitar a formação de biofilmes” – ou microrganismos -, acrescentou. A reação química pode estar a gerar detritos que “estão a entupir um filtro”.

A sanita a bordo da Orion é semelhante à utilizada na Estação Espacial Internacional, mas esta é a primeira vez que é usada numa missão tripulada no espaço profundo. Os astronautas das missões Apollo não tinham sanita e utilizavam sacos especiais para os resíduos.

Na nave Orion, que tem cinco metros de diâmetro e pouco mais de três metros de altura, a sanita está localizada sob o piso – o único local onde os astronautas podem estar sozinhos.

O espaço reduzido da sanita é muito ruidoso, pelo que os astronautas têm de proteger os ouvidos. O sistema utiliza sucção para compensar a microgravidade. Os resíduos sólidos são colocados em sacos descartáveis que são compactados e serão trazidos de volta à Terra.

Lori Glaze, administradora associada da Direção de Desenvolvimento de Sistemas de Exploração da NASA, afirmou que “assim que a nave regressar ao solo, poderemos aceder ao interior e identificar a origem do problema”.

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