O drone aterrou às 02h08 locais (03h08 em Lisboa) e, após reabastecer na pista, descolou novamente às 05h44, segundo observou a agência Lusa no local. Esta é a segunda vez esta semana que um MQ-9 Reaper — considerado um dos drones de combate mais avançados em uso atualmente — aterra em solo português, depois de na madrugada de quinta-feira ter sido registada a primeira presença desta aeronave na Base das Lajes.
Desenvolvido pela General Atomics, o MQ-9 Reaper tem cerca de 11 metros de comprimento e 20 metros de envergadura e é utilizado em missões de combate, vigilância e reconhecimento. Capaz de transportar até oito mísseis de precisão e com uma autonomia de voo de até 27 horas, o aparelho é operado remotamente via satélite por duas pessoas, podendo atingir altitudes elevadas para cumprir funções tanto ofensivas quanto de inteligência.
A presença desta aeronave na Base das Lajes ocorre num contexto de intensificação do movimento de aeronaves militares norte-americanas na infraestrutura desde 18 de fevereiro, após o ataque conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra alvos no Irão no dia 28 de fevereiro. Desde então, têm estado estacionados nos Açores, entre outros, cerca de 15 aviões-tanque KC-46 Pegasus, usados para reabastecimento em pleno voo, bem como cargueiros C-130, C-17 Globemaster III e C-5M Super Galaxy, caças F-16 Viper e Boeing EA-18G Growler, aviões de alerta antecipado E-2D Advanced Hawkeye e aeronaves de patrulha marítima P-8 Poseidon.
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O uso da Base das Lajes pelos Estados Unidos tem suscitado debate político em Portugal. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, declarou em audição parlamentar que a utilização da base cumpre os critérios do direito internacional, garantindo que Portugal “não está envolvido” diretamente em operações ofensivas e que a autorização dada respeita condições estritas — nomeadamente de que só podem ser utilizadas ações em resposta a ataques sofridos, proporcionais e sem alvos civis.
Críticos, incluindo deputados do Partido Socialista, questionaram o Governo sobre a presença destes drones na base, considerando sensível a participação de Portugal num contexto de tensão global, especialmente numa fase em que a guerra no Médio Oriente permanece ativa.